Radiofrequência de lesões hepáticas

ONCOLOGIA

Radiofrequência de lesões hepáticas

A ablação por radiofrequência é um dos procedimentos mais atuais para o tratamento de alguns tumores, utilizada principalmente para tratamento de tumores hepáticos (primários ou metastáticos) e renais, sua indicação tem sido amplamente diversificada, sendo também recomendada para o tratamento de alguns tumores pulmonares e ósseos, permitindo que o paciente receba um tratamento mais conservador, que dispense a necessidade de uma cirurgia convencional.

Tanto pode ser realizada como terapia isolada como também é útil associada ao tratamento cirúrgico para erradicar todos os nódulos presentes no fígado. Neste tratamento é realizada a punção do tumor por meio de uma agulha com anestesia geral ou sedação guiada por imagem (ultrassonografia ou tomografia), o tumor recebe ondas que provocam aumento da temperatura em seu interior e a lesão é destruída por corrente alternada de energia, levando a necrose coagulativa do tumor. Pode ser feita sem cortes, por laparoscopia ou por cirurgia aberta.

Sua limitação é que deve ser reservada a tumores pequenos e localizados profundamente no fígado, não deve ser realizada em tumores próximos a vasos ou ductos biliares. Este tipo de tratamento tem sido utilizado em conjunto com a ressecção de lesões hepáticas, aumentando assim o potencial de ressecabilidade de lesões hepáticas. No tratamento de tumores menores que 3 cm, a radioablação destes tumores tem mostrado resultados curativos similares ao da cirurgia aberta convencional.

Nosso serviço tem experiência com este tipo de procedimento desde 2011, sendo que já foram realizados diversos procedimentos desse tipo em Tubarão - SC. Como é realizada com a combinação de exames de imagens, é possível realizar um controle imediato da lesão logo após encerrada a ablação, permitindo com isso avaliar a eficácia inicial do procedimento e a necessidade de complementação que se faça necessária no mesmo tempo. A ablação é mais utilizada para tumores até cerca de 3 cm de diâmetro.

Para tumores maiores (3 a 5 cm de diâmetro) pode ser utilizada junto com a embolização. No caso de tumores hepáticos, a ablação desempenha um importante papel como ponte para quem espera um transplante e é portador de um hepatocarcinoma (tumor primário do fígado). No Brasil, como na maioria dos países, pacientes com uma lesão maior do que cinco centímetros ou com mais de três lesões com até três centímetros tornam-se inelegíveis ao transplante (Critérios de Milão).

Nesses casos, a ablação percutânea torna-se uma opção de tratamento, contribuindo para reduzir o tamanho dos tumores ou evitar que cresçam e excedam os critérios excludentes. As indicações dos procedimentos ablativos são bastante amplas dentro do cenário oncológico, no entanto seu emprego deve ser amparado por ampla discussão multidisciplinar entre todos os especialistas envolvidos no tratamento do câncer: oncologistas, cirurgiões, radioterapeutas e radiologistas intervencionistas.

Matéria Por

Cassiano Coral Accordi

Cirurgia Geral

CRM/SC 12661 - RQE 6087 RQE 6088 | Tubarão

Matéria Por

Luiz Henrique Locks Corrêa

Cirurgia Geral

CRM/SC 17824 - RQE 16096 RQE 14371 | Tubarão

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