As doenças cardíacas nas mulheres

CARDIOLOGIA

As doenças cardíacas nas mulheres

Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que as doenças cardiovasculares já são responsáveis por 30% das mortes de mulheres no mundo. São 3 mortes por segundo em consequência, principalmente, do infarto e do AVC - Acidente Vascular Cerebral. O Brasil tem a maior taxa de mortalidade por cardiopatias em mulheres da América Latina e os números não param de crescer. Existe um menor compromisso das mulheres no controle dos fatores de risco que levam ao Infarto Agudo do Miocárdio e ao Acidente Vascular Cerebral e está também associado a uma menor taxa de investigação desse conjunto de doenças, bem como a maior negligência no seu tratamento, determinando mais sequelas nas mulheres e uma pior qualidade de vida.

Os principais fatores de risco cardiovascular são a Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes mellitus, LDL-colesterol elevado e tabagismo, porém o estresse que a mulher moderna se submete é um dos fatores agravantes para as doenças cardíacas. A mulher está mais presente no mercado de trabalho, mas continua tendo a maior parte da responsabilidade sobre as tarefas de casa. Ela vive pressionada e ansiosa para dar conta de tantas atividades e isso tem reflexo direto na sua saúde. A maioria das mulheres se queixa de algum sintoma importante até um ano antes de um infarto.

Esse sintoma podem ser fadiga, transtorno do sono e falta de ar, ansiedade, indigestão, períodos de dormência nos braços e dor em algum ponto do peito, do maxilar, das costas, dos braços ou das pernas. O infarto se dá geralmente pela presença de obstruções causadas por placas de gordura nas artérias coronárias. A ruptura dessas placas ou a obstrução por coagulo é que causa o infarto na maioria de homens e mulheres.

No entanto, descobertas mais recentes mostram que a doença pode ter outras causas, como vasos sanguíneos do coração estreitados ou enrijecidos a ponto de restringir o fluxo de sangue: a chamada disfunção microvascular coronariana (doença das pequenas artérias do coração) e isso justifica porque cerca de 50% das mulheres com dor no peito, falta de ar e mau resultado na prova de esforço não apresentam obstruções em angiografias comuns. Chegam a ter angina de peito ou até infarto do miocárdio com as grandes artérias coronárias normais, porque a doença está nas pequenas artérias (na microcirculação).

Por causa do efeito protetor do estrogênio, a maioria das mulheres sofre infartos sete a dez anos depois dos homens, porém nas últimas duas décadas, o número de infartos em mulheres de meia-idade (entre 40 e 65 anos) vem aumentando, enquanto o número de infartos em homens da mesma idade vem diminuindo. Essa mudança pode estar ligada ao aumento da incidência dos principais fatores de risco cardiovasculares: tabagismo, diabetes, pressão alta, obesidade e vida sedentária. E as mulheres têm alguns fatores de risco importantes que os homens não têm.

As complicações da gravidez, principalmente a pré-eclâmpsia, aumentam de forma substancial o risco cardiovascular. Outros fatores de risco são diabetes gestacional, restrição do crescimento intrauterino do bebê, menopausa precoce (antes dos 40 anos), momento no qual a mulher perde a proteção hormonal cardiovascular natural. E essa proteção não pode ser garantida com a reposição hormonal. Para melhorar esse quadro é fundamental que as mulheres levem mais a sério os fatores de riscos e valorizem mais o sintoma de dor torácica.

Mais de 75% das mulheres com o conhecido sintoma de dor no peito não valorizam o sintoma e acham que não pode ser infarto. Ressaltando que, em números totais, “a mulher infarta menos que os homens, porém quando infarta elas morrem mais”.

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Matéria Por

Sandro Andrey Nogueira Franco

Cardiologia

CRM/MT 2690 | RQE: 1424 | RQE: 1423 | Cuiabá

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