Alimentação saudável na primeira infância

PEDIATRIA

Alimentação saudável na primeira infância

Estamos vivendo em um mundo onde a nossa grande preocupação é a obesidade e não mais a desnutrição. A população brasileira encontra-se num momento de transição do ponto de vista demográfico, social, epidemiológico e nutricional. Por ser uma fase de transição, coexistem problemas antigos não resolvidos e problemas das sociedades mais ricas, tais como excesso de consumo de alimentos ultraprocessados, usualmente muito calóricos. Observa-se maior acesso a alimentos e bens de consumo em geral, o que leva à “epidemia” de doenças crônico-degenerativas como sobrepeso/obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, entre outras.

Na Pediatria, as ações da puericultura são voltadas principalmente para os aspectos de prevenção e de promoção da saúde, atuando no sentido de manter a criança saudável para garantir seu pleno desenvolvimento, para que atinja a vida adulta sem influências desfavoráveis e problemas trazidos da infância. A alimentação das crianças e dos adolescentes é um ponto muito importante para a programação de uma vida saudável e de qualidade. Como e quando iniciar a alimentação? A alimentação inicia através do aleitamento materno preferencialmente exclusivo até o 6º mês de vida e só a partir do sexto mês completo iniciamos a alimentação complementar, mesmo para crianças que não conseguiram amamentar e que necessitaram de fórmulas infantis, portanto, toda criança só deverá iniciar alimentação complementar após o sexto mês de vida.

Exceções destes grupos são as crianças prematuras que ainda não alcançaram a idade corrigida de seis meses. A alimentação complementar é o conjunto de todos os alimentos, além do leite materno, oferecidos durante o período em que a criança continuará a ser amamentada ao seio sem exclusividade deste. Ao mesmo tempo, o pediatra tem a responsabilidade de orientar a introdução da alimentação complementar, destacando a importância de nutrientes adequados, preparados artesanalmente pelas famílias a partir de alimentos de boa qualidade de origem, conservação e higiene. Não há evidências de que exista alguma vantagem na introdução precoce (antes dos 6 meses de idade) de outros alimentos que não o leite humano na dieta da criança.

Por outro lado, os relatos de que essa prática possa ser prejudicial são abundantes. A alimentação complementar pode ser inciciada através de papas, método tradicional ou através de outras abordagens sendo difundidas pela internet como, por exemplo, o Baby-Led Weaning (BLW) que significa: o desmame guiado pelo bebê. Conceitualmente a idealizadora, a britânica Gill Rapley, defende a oferta de alimentos complementares em pedaços, tiras ou bastões. Não há evidências e trabalhos publicados em quantidade e qualidade suficientes para afirmar que os métodos BLW ou BLISS sejam as únicas formas corretas de introdução alimentar (Fewtrell et al ESPGHAN, 2017), portanto o Depatamento de Nutrologia da SBP recomenda que no momento da alimentação, o lactente pode receber os alimentos amassados oferecidos na colher, mas também deve experimentar com as mãos, explorar as diferentes texturas dos alimentos como parte natural de seu aprendizado sensório motor.

Deve-se estimular a interação com a comida, evoluindo de acordo com seu tempo de desenvolvimento (Guia prático de atualização: a alimentação complementar e o método BLW, DC nutrologia-SBP, 2017). A composição da dieta deve ser equilibrada, variada e fornecer todos os tipos de nutrientes e água. É bem conhecido que o bebê humano nasce com um gosto inato para o doce e uma aversão ao amargo. A preferência pelo salgado vai se desenvolvendo a partir do segundo semestre de vida e depende mais de fatores ambientais de exposição que de fatores hereditários.

A exposição mais precoce aumenta também o interesse por esse sabor. A introdução de certos alimentos, potencialmente alergênicos, como ovo e peixe, pode ser realizada a partir do sexto mês de vida, mesmo em crianças com história familiar de atopia. Os estudos que avaliaram os benefícios da introdução de alimentos alergêncios a partir dos 6 meses e não tardiamente, observaram menor risco para o desenvolvimento futuro de desfechos alérgicos. A introdução após um ano de idade parece aumentar ainda mais os riscos de alergia.

Conclusão: A partir dos 6 meses de vida, deve-se introduzir a alimentação complementar, mantendo-se o aleitamento materno até os 2 anos de idade ou mais. Retardar a introdução de alimentos complementares não protege a criança do desenvolvimento de doenças alérgicas, podendo mesmo, aumentar este risco. Entretanto, antecipar a introdução de grande variedade de alimentos sólidos para crianças de 3 a 4 meses de vida parece elevar o risco de eczema atópico e de alergia alimentar. Na duvida procure sempre um pediatra de sua confiança antes de iniciar a alimentação complementar.

Ver perfil

Matéria Por

Priscylla Campos Barbosa

Pediatria

CRM/GO 18099 RQE 11209 | Rio Verde

Deixar Comentário