Meu bebê chora muito. Será Cólica do Lactente?

PEDIATRIA

Meu bebê chora muito. Será Cólica do Lactente?

Pelos critérios de Roma III, Cólicas do Lactente são paroxismos de choro, irritabilidade e agitação em lactentes com menos de 4 meses, que duram 3 ou mais horas, pelo menos por 3 dias por semana, por pelo menos uma semana. Os paroxismos começam e acabam de forma abrupta e nenhuma causa aparente para o quadro é encontrada. Além do mais, o lactente continua crescendo normalmente. Sendo uma patologia que afeta de 20% a 30% dos lactentes até 3 meses. Recentemente, foram elucidadas algumas etiologias para esta patologia que aflige muitos pais. Sabe-se que ela é multifatorial. Porém, em lactentes com cólica ocorre um desequilíbrio do SNC do Eixo- -Microflora-Intestino-Cérebro, culminando com crises de choro.

Esse desequilíbrio do SNC dos lactentes é reforçado pelo fato de que crianças que nascem com problemas SNC apresentam crises de choro de forma mais intensa, assim como bebês de mães com depressão. Alteração no sistema circadiano do cortisol, temperamento do lactente, deficiente prestação de cuidados parenterais, pais tensos e inseguros e diferenças culturais também são causas de Cólica do Lactente. Outro fator que vem sendo cada vez mais abordado e estudado está fundamentado nas alterações da microbiota intestinal destes pacientes, onde temos reduzida quantidade de bifidobacterias e lactobacilos e o aumento de bactérias coliformes formadoras de gases que aumentam dor e a cólica.

Como se dá o diagnóstico?

O diagnóstico da Cólica do Lactente é clinico, através de uma história detalhada e de um exame físico pormenorizado para afastar outras causas orgânicas de choro. A cólica, em 95% dos casos, é autolimitada e apenas 5 % apresentam causa primária e orgânica. O reconhecimento do problema, o apoio para tranquilizar a família e, principalmente, a explicação aos pais sobre a benignidade da cólica são medidas importantes. O pediatra e ou o especialista devem desfazer mitos e, sobretudo, aliviar o sentimento de culpa dos pais. Devemos evitar a prescrição de drogas que podem trazer efeitos adversos e de expor os bebês a exames e procedimentos desnecessários.

Algumas estratégias podem ser necessárias para alívio da dor e para ajudar os pais na interação com o bebê: acolhimento, manter uma rotina e higiene do sono, desencorajar as trocas de fórmulas infantis, acalmar o bebê no colo, decúbito ventral (Stomach), massagens, bolsas térmicas, Swadding (enfaixamento), Shush (ruído branco) e a manutenção do aleitamento materno. O uso de probióticos em bebês que estão em aleitamento materno vem sendo recomendado após alguns estudos de revisão e metanálise. Essas medicações visam principalmente corrigir a disbiose da flora intestinal.

Portanto, como vários fatores contribuem para a Cólica do Lactente é improvável que se encontre uma única intervenção que solucione o problema na população em geral. Ficar atento aos sinais de alarme e, em situações específicas, fazer o teste terapêutico para DRGE (Doença do Refluxo Gastroesofágico) ou para alergia alimentar, para confirmar ou afastar essas morbidades, parece ser, por enquanto, o mais recomendado. A cólica não é uma entidade simples, causada por apenas um fator etiológico. “Nenhum fator isolado explica sistematicamente a cólica” e “um médico solidário é importante para a resolução do problema”.

 

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Matéria Por

Franciane S. Pasqualotto Simão

Pediatria

CRM/MT 5447 | RQE 2634 | RQE 2635 | Rondonópolis

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