Dores no Ombro - Tendinite Calcária: quando ocorre e quais os sintomas e tratamentos?

Dores no Ombro - Tendinite Calcária: quando ocorre e quais os sintomas e tratamentos?

A tendinite calcária do manguito rotador é uma das afecções mais comuns do ombro. Pode acontecer sem provocar nenhum sintoma, mas, por vezes, manifestar-se com episódios agudos de dor ou evoluindo sob um fundo doloroso crônico. Acomete principalmente pessoas do sexo feminino, entre 30 e 50 anos e o tendão mais afetado é o supraespinal.

Sua causa ainda é desconhecida, mas diversas teorias foram sugeridas para explicar a sua origem, sendo duas delas mais aceitas. O conceito da existência de uma área específica no tendão supraespinal, conhecida como “área crítica”, susceptível à calcificação, foi primeiro descrito por Codman no início do século 20, sendo que essa diminuição do fluxo sanguíneo local iniciaria um processo degenerativo que, subsequentemente, levaria à calcificação ou à ruptura do tendão. A outra hipótese é que microtraumatismos repetidos nesta região do tendão poderiam levar a esta condição. Hoje, entendemos a etiologia da tendinite calcária como sendo a combinação destes fatores, de uma área mais suscetível à deposição de cálcio com uma pessoa que se encaixa nas descrições de maior prevalência da doença.

A tendinite calcária do ombro é uma condição autolimitante, caracterizada por um ciclo formativo-reabsortivo de cristais de cálcio. Esta doença é dividida em 3 fases bem definidas, mas que podem ocorrer simultaneamente.

• 1ª Fase - Pré-calcificante: na qual uma redução na tensão local de oxigênio transforma parte do tendão em fibrocartilagem.

• 2ª Fase - Formativa: quando ocorre a deposição de cristais de cálcio no interior do tendão e que pode permanecer por período indefinido de tempo no local de depósito.

• 3ª Fase - Reabsortiva: inicia-se com a formação de novos canais vasculares, que se tornam uma via de reabsorção. Esta fase é marcada clinicamente por bastante dor e limitação funcional do ombro, sendo a causa da dor, a intensa reação inflamatória local e não a deposição do cálcio.

Entendendo as fases, entendemos melhor esta doença, que se manifesta, na maioria das vezes, “de trás para frente”, uma vez que quando a pessoa sente a dor já está na fase de resolução desta patologia (3ª fase). Baseando-se nessa teoria, longo período de tratamento conservador deve ser tentado, antes que se defina pelo tratamento cirúrgico, uma vez que a evolução natural da doença é para uma reabsorção espontânea da calcificação. Depois que a calcificação é reabsorvida, o tendão é capaz de retornar à função normal, presumivelmente através da síntese de nova matriz celular. O tratamento clínico baseia-se em analgésicos, anti-inflamatórios e fisioterapia. O uso de terapias por ondas de choque, perfurações da calcificação e o Ultrassom também estão descritos na literatura.

Quando é necessária a cirurgia?

Quando a dor não melhora apesar do tratamento com remédios e fisioterapia, é indicada a cirurgia para retirada dos depósitos de cálcio. Essa retirada pode ser realizada através de punção, também chamada de barbotagem, ou sob visão direta, utilizando a artroscopia. Após a cirurgia, a necessidade do uso da tipoia vai variar de 2 a 6 semanas, dependendo do quanto o tendão estiver acometido. Após esse período, é feita fisioterapia para ganho dos movimentos e fortalecimento muscular.

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Matéria Por

Guilherme Milward Xavier de Azevedo

Ortopedia e Traumatologia

CRM/TO 4091 | RQE 1793 | Palmas

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