Hormônios na menopausa! Usar ou Não

Estamos vivendo um momento no tratamento da menopausa bastante confuso tanto para os médicos como e, especialmente, para as pacientes.

Há décadas quando se iniciaram os estudos de tratamento hormonal, foi sendo criado uma mentalidade que os hormônios trariam grandes benefícios para a qualidade de vida da mulher na fase de vida mais avançada, esta situação foi sempre confirmada por trabalhos científicos que diziam que os hormônios além de melhorar os sintomas da menopausa como ondas de calor, irritabilidade, depressão, ressecamento vaginal, e outros... Também iriam ajudar na proteção cárdio-vascular (risco de doenças cardíacas), evitar envelhecimento precoce, redução nos risco de doenças mentais e redução nos riscos de câncer de intestino, osteoporose e outros.

Além de levantar estas inúmeras vantagens, não mostravam riscos maiores como, por exemplo, câncer de mama.
Esta situação de mocinho (que vivia a terapia de reposição de hormônio) há dois anos mudou para bandido, devidos a trabalhos científicos que mostraram uma relação de risco para câncer de mama e falta de proteção cardio-vascular.

Passamos a ver pacientes extremamente angustiadas sem saber ao certo se o tratamento hormonal é conveniente e seguro ou não pois estas pacientes começaram a ver na mídia leiga (revistas, novelas, radio e outros) reportagens contrários ao tratamento hormonal; inclusive a divisão da medicina em especializações também aumenta o conflito quando temos médicos de outras especialidades, com opiniões contrárias a reposição hormonal, por exemplo os cardiologistas passaram a contra indicar o tratamento hormonal devido a riscos vasculares, assim com já faziam os especialistas vasculares (angiologistas) devido aos riscos tromboembólicos.

Pois bem, em relação ao tratamento hormonal sabe se que algumas mulheres realmente vão se beneficiar, pois ele ainda continua a oferecer diversos efeitos, melhorando a qualidade da vida em vários aspectos; mas, sabemos que outras mulheres podem se prejudicar, caso tenham riscos para doenças que podem aumentar a incidência quando tratadas com hormônio.

Conclui-se que nós médicos temos que INDIVIDUALIZAR o tratamento para cada paciente. Isto quer dizer, estamos em um momento onde teremos de ter tempo com a paciente, conhecermos sua história de vida e seus antecedentes, saber de seus sintomas, realizar exames que possam realmente avaliar fatores de risco para doenças e depois disto informar esta paciente o real impacto que um tratamento possa oferecer, ou seja, este tratamento para esta paciente trará mais riscos ou benefícios. Creio que apenas deste modo poderemos ter mulheres mais esclarecidas sobre seus tratamentos e seguras com a sua saúde.

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