Crianças precisam brincar. Por que?

PSICOLOGIA

Crianças precisam brincar. Por que?

É brincando, agindo no espaço físico e em interação com o outro que a criança aprende. Aprende a se locomover e se relacionar, a interpretar seu mundo e livrar-se de suas angústias. As brincadeiras no passado ocorriam nos quintais de casa ou nos espaços públicos das ruas ou vilas. Através delas as crianças experimentavam seus corpos e suas potencialidades em diferentes atividades: subiam em árvores, nadavam nos rios, jogavam bola, brincavam de amarelinha, bolas de gude, polícia e ladrão, rodas cantadas e versos, entre tantas outras.

Assim, brincando, iam adquirindo competências motoras e mentais que as preparavam para o momento de entrada na escola. Ao brincar de forma prazerosa desenvolvia sua coordenação, equilíbrio, consciência corporal, ritmo e adquiria noções de lateralidade, tempo e espaço. Desenvolvia, desta forma, uma postura de atenção e prontidão adequadas à aprendizagem. Brincando entendia as regras sociais e tolerava melhor a frustração. Diferentemente da realidade acima descrita, nossa configuração social e familiar é bem diferente na atualidade. Os pais, trabalhando fora, estão mais ausentes.

As casas viraram apartamentos, as crianças não brincam mais nas ruas, seus brinquedos e interesses mudaram. Mas as crianças ainda necessitam se movimentar, agir e interagir no espaço para compreenderem seu mundo e se desenvolverem enquanto crescem e amadurecem. Entretanto, o que assistimos são as crianças passando grande parte do seu tempo na frente da televisão, do celular ou do tablete, até mesmo quando se alimentam, indo para cama tarde, muitas vezes acompanhando o ritmo de seus próprios pais. Os celulares os distraem de suas necessidades afetivas, seus medos e angústias.

E também estimulam seus cérebros no momento em que deveriam estar relaxando para dormir. Assim, o ritmo biológico e prontidão para atenção tão necessários ao bom desempenho do filho para a aula no dia seguinte estão comprometidos. Esses desajustes são percebidos por alterações no comportamento da criança, na alimentação, no sono, no humor e consequente aprendizagem escolar. Isto acaba por afetar sua autoestima e autoconfiança. Cedo são levados aos consultórios por apresentarem dificuldades de aprendizagem, dislexia, TDAH, ansiedade e depressão infantil.

O que fazer? Modificar padrões e rotina doméstica é importantíssimo mas, acima de tudo, estimule seu filho a brincar e aproveite para brincar com ele. Se uma criança não está brincando possivelmente algo está errado com ela. Observe- a para ver o que pode estar acontecendo e, se for preciso, busque ajuda profissional. A intervenção precoce ainda é o modo mais eficaz de evitar problemas no futuro.

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Matéria Por

KÁTIA MELLO GENÚNCIO

Psicólogo

CRP 26302-05/RJ | Macaé

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