Depressão na contemporaneidade: quando a tristeza passa dos limites

PSIQUIATRIA

Depressão na contemporaneidade: quando a tristeza passa dos limites

A depressão, também conhecida como Transtorno Depressivo Maior, é uma das doenças psiquiátricas mais comuns da atualidade. A prevalência na população geral é de aproximadamente 13% ao longo da vida, sendo maior em países de baixa renda. A depressão enquanto doença vai além da tristeza - que é uma emoção fundamental do ser humano.

É normal sentir tristeza quando perdemos um ente querido, quando estamos em conflito com outras pessoas ou diante de frustrações da vida. Isso é natural e precisa ser vivenciado como tal. O que entendemos como depressão vai além, perdura por mais do que 2 semanas, acomete o indivíduo em diversas facetas da vida e o prejudica no cotidiano.

Quando o sofrimento passa dos limites é que precisamos intervir. Os sintomas depressivos alteram o afeto (que é o componente emocional de uma ideia), fazendo com que as pessoas apresentem rigidez afetiva (seu estado de humor é pouco influenciado pelas situações que o cercam, mesmo as positivas); apresentam também alteração do sono, diminuição da libido, alteração do apetite, dificuldade em se concentrar nas tarefas do dia-a-dia, dificuldade de memória, pensamento lentificado, diminuição da criatividade, dentre outros.

É comum também o paciente depressivo ter poucos cuidados com a higiene pessoal e aparência, além de deixar de fazer coisas das quais gostava muito – como sair com amigos, praticar esportes ou viajar. É como se o mundo “perdesse a cor”, a beleza e a graça. Por diversas vezes o paciente depressivo sente-se culpado por situações da vida que não estejam diretamente relacionadas a ele.

É como se “o peso do mundo estivesse sobre seus ombros” e o viver torna-se pesado e cansativo. Nos casos mais graves podemos ter também ideias e planejamentos suicidas, que exigem atendimento de urgência com psiquiatra. Quando a depressão é diagnosticada, é preciso tratar. Diversas são as medicações disponíveis e o psiquiatra tem o entendimento adequado de quais as melhores opções de acordo com o perfil sintomatológico de cada paciente.

É muito importante a psicoterapia em diversos casos, associada com a medicação. Entendemos a depressão não como uma patologia da mente apenas, mas uma doença sistêmica, pois observamos alterações inflamatórias por todo o corpo associadas com os sintomas depressivos. Sendo assim, o tratamento torna- -se vital não apenas para melhorar a qualidade de vida e os sintomas cognitivos, mas a saúde física como um todo (diminuindo incidência de doenças auto-imunes, por exemplo).

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Matéria Por

Adna de Moura Fereli Reis

Psiquiatria

CRM/PR 31160 | RQE 21780 | Londrina

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