Fimose infantil: é preciso tratar?

PEDIATRIA

Fimose infantil: é preciso tratar?

Muitos pais pensam que o problema é a pele que há em volta da glande (cabeça) do pênis, chamada de prepúcio. O que caracteriza a fimose é o estreitamento desta pele que envolve a glande, formando uma barreira que impede sua passagem. Sem o espaço necessário de que o órgão precisa para realizar suas funções, a área fica suscetível à falta de higiene, ao acúmulo de secreções e a infecções. Isso pode acontecer porque a higienização do pênis do menino que tem fimose é mais difícil de ser feita, as secreções naturais da glande ficam com o escape limitado e pode ocorrer o aumento do número de bactérias que se proliferam no órgão genital. Existe, ainda, a possibilidade de a criança desenvolver infecção urinária.

Durante o desenvolvimento do prepúcio, seu epitélio interno funde- -se ao epitélio glandar, de maneira que a separação entre eles é incompleta ao nascimento. Assim, somente 4% dos recém-nascidos masculinos apresentam retração completa do prepúcio; aos 6 meses, 20%; ao redor do quinto ano de vida, 70-90%, havendo uma minoria de meninos com prepúcio não-retrátil em idades maiores. Portanto, a fimose é fisiológica até certa idade, tendendo a se resolver espontaneamente. Cuidados com a higiene do menino devem ser tomadas, encorajando-se os pais a secar o pênis da criança durante a troca de fralda ou micções e lavar durante o banho, para a prevenção de episódios de balanopostite (inflamação/ infecção da glande ou prepúcio) que pode determinar o surgimento de um anel fibrótico e precisar de tratamento cirúrgico.

Traumas prepuciais, com “massagens” e retrações forçadas, devem ser evitados, pois tendem a piorar as aderências entre o prepúcio e a glande, e podem gerar o mesmo tipo de problema. O tratamento cirúrgico é desnecessário em baixas idades, cabendo, sim, as medidas de prevenção descritas. Posteriormente, próximo aos cinco anos de idade, as fimoses sem anel fibrótico podem ser revertidas com o uso de medicação tópica. Reserva-se a postectomia para os casos de falha terapêutica, presença de anel fibrótico e prepúcio completamente fechado. A indicação de postectomia deve ser considerada nas crianças portadoras de malformação do trato urinário e mediante quadros de infecção urinária de repetição.

Os pais podem controlar a evolução da fimose infantil, mas não devem tomar a decisão sobre se é preciso, ou não, tratá-la sem antes conversar com um médico. O pediatra da criança pode orientar quanto ao que é mais adequado a fazer ou o cirurgião urológico pediátrico que, provavelmente, é quem fará a cirurgia, caso ela seja necessária. Lembrando que nenhuma criança deve ser automedicada e que nenhuma solução caseira deve ser aplicada. O uso do remédio incorreto e de técnicas que não possuem comprovação científica é um risco para a saúde da criança.

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Matéria Por

Rafael Miranda Lima

Cirurgia Pediátrica

CRM/SC 17015 | RQE 11522 | Florianópolis

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