ENDOCRINOLOGIA

Como o metabolismo interfere no seu peso?

Por muito tempo a obesidade foi considerada consequência apenas de fatores comportamentais, ou seja, comida em excesso e falta de exercício. Hoje está comprovado que a fisiopatologia da obesidade é muito mais complexa e que existem sim, fatores genéticos e ambientais associados ao ganho de peso. É muito comum ouvirmos frases do tipo: “fulano come muito e não engorda” ou “só de respirar eu engordo”. De fato, alguns indivíduos são altamente suscetíveis ao ganho de peso e outros altamente resistentes. Contudo, o principal determinante para o aparecimento da obesidade continua sendo o desequilíbrio energético, ou seja, uma ingestão excessiva de calorias em relação ao gasto energético durante um período de tempo, o que provoca um balanço positivo (quilos a mais na balança).

Por essa razão, as principais estratégias para perda de peso envolvem justamente esses dois fatores: redução do número de calorias na alimentação e aumento do gasto energético. Mas essa equação não é tão simples assim, pois cada um desses fatores depende de muitos outros elementos. Dietas de composições variadas, além do conteúdo calórico, têm efeitos variados sobre os hormônios, vias metabólicas, expressão gênica e microbioma intestinal de maneiras que poderiam influenciar o armazenamento de gordura. E quanto ao gasto energético, o que determina o seu metabolismo ao longo do dia? Sabemos que 60 a 70% do gasto energético do nosso corpo corresponde ao gasto energético de repouso (GER), que nada mais é do que o gasto de energia para manter nossas funções vitais, como a respiração, coração, produção de hormônios, etc.

Fatores como a genética, idade, sexo, hormônios e composição corporal influenciam esse componente. Habitualmente, o metabolismo vai reduzindo com a idade, por isso a dificuldade em perder peso com o passar dos anos. Devemos lembrar também que, quanto maior a quantidade de músculos, maior o metabolismo energético, razão pela qual se faz tão importante, que no processo de emagrecimento, a massa muscular seja preservada. A termogênese alimentar é responsável por 10% do gasto total. Representa a energia utilizada na digestão, absorção e utilização dos nutrientes da alimentação, aumentando a temperatura do corpo. A composição da dieta pode afetar diretamente esse gasto, dependendo da distribuição dos macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras).

Já o gasto energético pela atividade física (GEAF) constitui 15 a 30% do gasto total e representa o componente mais variável entre os indivíduos. As mudanças sócio-comportamentais das ultimas décadas tem influenciado muito esse fator. Observa-se um aumento de mais de 80% no número de indivíduos empregados em atividades sedentárias e uma diminuição de 25% no número de indivíduos em empregos que exigem muita atividade física. Além do gasto energético, a depender da modalidade, a atividade física favorece o aumento da massa muscular e, como dito anteriormente, o metabolismo de repouso é muito influenciado pela quantidade de músculo. Fica fácil entender então, porque o exercício é tão importante no processo de emagrecimento. Mantenha um estilo de vida saudável, exercite-se e evite o excesso de peso!

Matéria Por

Fernanda Augustini Rigon

Endocrinologia e Metabologia

CRM/18516 | RQE 14550 | RQE 14551 | Florianópolis

Deixar Comentário

Outras MATÉRIAS