Você conhece a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE)?

GASTROENTEROLOGIA

Você conhece a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE)?

A CPRE é um exame endoscópico que tem por objetivo detectar e tratar doenças que acometem os ductos de drenagem do fígado e do pâncreas (as vias biliares intra e extra-hepáticas, e o ducto pancreático principal). As manifestações das doenças que causam lesão nos ductos biliares e pancreático são icterícia (olhos e pele amarelada), dor abdominal, febre e alterações bioquímicas nas enzimas hepáticas e pancreáticas. Esses sinais e sintomas são na maioria das vezes decorrentes de doenças benignas como cálculos (coledocolitíase), estenoses inflamatórias ou pós-cirúrgicas das vias biliares e pancreatite crônica. No entanto, neoplasias do pâncreas e vias biliares, podem abrir o quadro clínico com sintomas bastante semelhantes.

Quais são as indicações?

Atualmente, a CPRE é um procedimento preferencialmente terapêutico. A principal razão para esta evolução deve-se à utilização de técnicas diagnósticas menos invasivas, tais como a tomografia computorizada, a ressonância magnética e a ecoendoscopia que ajudam a selecionar os doentes que necessitam de CPRE. A CPRE está indicada especialmente quando há necessidade de drenagem das vias biliares. A indicação mais comum é a coledocolitíase, que nada mais é do que a presença de cálculo na via biliar distal, também chamada de colédoco. O cálculo pode se formar na própria via biliar, ou mais comumente, ser proveniente da descida de um ou mais cálculos da vesícula. Alguns dados epidemiológicos dão conta de que 5 a 10% das colelitíases (cálculos na vesícula) sintomáticas e 18 a 33% das pancreatites agudas biliares, estão associadas à coledocolitíase.

Como é realizado?

O exame é, em princípio, realizado sob anestesia. Para isso o doente deverá ser observado previamente em consulta e realizar alguns exames complementares. Deve ser feito jejum de pelo menos 8 horas para assegurar que a cavidade gástrica não tenha líquidos ou resíduos alimentares que impeçam o procedimento ou aumentem o risco de aspiração. É utilizado um aparelho de endoscopia com visão lateral, também conhecido como duodenoscópio que é inserido na boca do paciente e passa através da garganta, esôfago, estômago e chega até a segunda porção do duodeno, local onde se visualiza a papila duodenal (Papila de Vater). Esta papila corresponde ao ponto de convergência do canal pancreático principal e do canal biliar comum (colédoco), onde são drenadas as secreções pancreáticas e biliares para o duodeno. Após observação da papila procede- se à introdução de uma cânula no ducto biliar comum ou no canal pancreático principal (conforme as indicações), obtendo-se um colangiograma ou um pancreatograma, respectivamente, que consiste na injeção de contraste radiopaco no canal para permitir a sua visualização por fluoroscopia. Este exame demora em média uma hora. Durante o procedimento, as imagens radiológicas são interpretadas pelo médico endoscopista, que, dependendo do diagnóstico, poderá realizar complementação terapêutica (tratamento), incluindo papilotomia (secção longitudinal da papila); retirada de cálculos com balão extrator ou cesta tipo basket; drenagem de estenoses (estreitamentos) inflamatórias ou tumorais por dilatação com sonda ou por colocação de prótese endoscópica.

Trata-se de um procedimento seguro, quando realizado por um profissional especializado.

Matéria Por

Vitor de Souza Medeiros

Endoscopia Digestiva

CRM/SC 15982 | RQE 14512 RQE 14514 | Tubarão

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