Prevenção e Tratamento do Câncer do Aparelho Digestivo

Prevenção e Tratamento do Câncer do Aparelho Digestivo

Ainda nos dias de hoje, há muita desinformação e preconceito em relação ao câncer do aparelho digestivo. A boa noticia é que podemos curar a maioria dos casos a partir do diagnóstico precoce e tratamento especializado adequado.

O câncer de cólon e reto são os mais comuns do aparelho digestivo, e o terceiro mais frequente no Brasil (INCA/ MS 2016), seguido pelos cânceres gástrico, esofágico, pancreático, hepatobiliar e do intestino delgado.

Os exames de rastreamento por protocolo são:

• Pesquisa de sangue oculto fecal (anual ou bianual se negativo);
• Colonoscopia a partir dos 50 anos de idade em pacientes de baixo risco, mesmo sem sintomas, podendo ser antecipada nos casos de risco moderado/alto como nos casos de antecedente familiar, doença genética, doenças inflamatórias intestinais, etc;
• Endoscopia digestiva alta em pacientes portadores de doenças pépticas crônicas como, gastrites e úlceras gástricas, doença do refluxo gastroesofageano, em portadores de síndromes hereditárias como polipose adenomatosa familiar ou síndrome de Lynch I e II;
• Ultrassom ou Tomografia de abdômen em portadores de adenomas hepáticos ou da vesícula biliar, ou histórico familiar de câncer pancreático.

Nenhum “checkup” substitui a avaliação de um médico especialista através de exames complementares adequados. Pacientes portadores de polipose familiar, por exemplo, devem ser submetidos a cirurgia precocemente, antes mesmo dos 40 anos, haja vista a alta incidência de câncer pós adolescência. Cerca de 90% dos cânceres colorretais são esporádicos, ou seja, relacionados a dieta pobre em fibras, rica em gorduras e carboidratos, sedentarismo, obesidade, constipação crônica, tabagismo, alcoolismo, etc; 10% são hereditários (câncer de cólon hereditário não polipóide e polipose adenomatosa familiar). A maioria dos casos de câncer colorretal surge a partir de pólipos adenomatosos (sequência adenoma-carcinoma) que podem ser removidos por colonoscopia, quando da realização do exame em tempo adequado, com cura próxima a 100%. Atualmente dispomos de modernas técnicas endoscópicas como polipectomia e mucosectomia, para tratamento de lesões do esôfago, estômago, cólons e reto.

Apesar disso, como em geral os pacientes não se submetem aos métodos de prevenção primária e secundária adequadamente, os casos de câncer do aparelho digestivo, em sua maioria, são diagnosticados em fase tardia e já sintomática. Felizmente, dispomos de modernas técnicas videocirúrgicas, com dispositivos ópticos e de energia bastante avançados, tornando os procedimentos menos invasivos, com pequenas incisões e pós operatório mais brando, com menos dor, reinicio de dieta e alta hospitalar em menos tempo. Atualmente conseguimos realizar cerca de 90% das cirurgias oncológicas digestivas por videolaparoscopia (do esôfago ao reto/canal anal), com excelentes resultados, comparáveis ou superiores aos da cirurgia aberta convencional, com taxa de sobrevida superiores a 80% em 5 anos para câncer colorretal. O câncer do intestino grosso está se tornando uma doença crônicodegenerativa com longa sobrevida e excelente prognóstico, mesmo em casos avançados, desde que o tratamento seja conduzido por equipe oncológica multidisciplinar, composta por cirurgião oncológico, oncologista clínico e radioterapeuta (câncer do reto).

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Matéria Por

Carlos Bernardo Cola

Cirurgia Oncológica

CRM/MS 7929 | RQE 4390 | Campo Grande

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