Por que fazer uma Avaliação Neuropsicológica?

PSICOLOGIA

Por que fazer uma Avaliação Neuropsicológica?

“A avaliação neuropsicológica é o estudo detalhado das funções cognitivas, emocionais e comportamentais, sendo considerada uma avaliação funcional do cérebro.”

No Brasil e em outros países em desenvolvimento, pesquisadores estimam que de 45% a 50% dos alunos nos primeiros anos do Ensino Fundamental I, apresentam dificuldades para aprender. Destes, 7% a 10% têm transtornos de origem neurobiológica.

As dificuldades no aprendizado podem decorrer de causas orgânicas (problemas de visão, sonolência, disfunção alimentar), ambientais (calor excessivo, luz, barulho, posição da carteira e da lousa) e metodológicas (formas de ensino), assim consideradas como dificuldades de percurso, interferindo diretamente no aprendizado e no ambiente escolar. Também podem pesar fatores de ordem emocional, relacionados à vida familiar (separação, luto, mudança de cidade, nascimento de irmãozinhos), interação social (bullying, irritabilidade, isolamento, agressividade) e às condições psicológicas da criança (fobias, estresse e condutas de ansiedade), dentre outras possibilidades.

Nos transtornos ou distúrbios de aprendizagem, há problemas em áreas específicas do cérebro, muitas vezes confundida com falta de atenção ou desinteresse quando, na verdade, sinaliza um sintoma específico de que a criança não esteja conseguindo processar a aprendizagem de forma eficiente.

Assim que se identificar a dificuldade, a consulta com um neuropsicólogo ou psicólogo especializado em transtornos de aprendizagem é o caminho mais rápido para fins de investigação da causa relacionada a tal sintoma.

Cada vez mais testes psicológicos vêm sendo aplicados no cenário infantil para mapear o desenvolvimento infantil. Com o avanço da neuropsicologia, surge uma maior compreensão dos processos cognitivos e comportamentais, no sentido de um melhor aprimoramento dos respectivos procedimentos de avaliação, análise e intervenção dos problemas causados por déficits cognitivos, assim como pelas disfunções percebidas principalmente no período do desempenho escolar. Mediante desenvolvimento dessas pesquisas, novos procedimentos de estimulação, adaptação e socialização vem sendo trabalhados, razão pela qual cada vez mais se demanda atenção dos próprios pais para ficarem atentos ás mudanças de atitudes dos seus filhos.

O surgimento de sinais e sintomas que interferem no desenvolvimento social e cognitivo da criança, tais como atraso no desenvolvimento da linguagem e neuromotor; dificuldade para a aquisição da leitura e escrita; incompreensão de conceitos opostos, atributos ( forma, cor, tamanho) e mecanismos de cálculos, frações e medidas; dificuldade em atender comandos; dispersão constante; dificuldade em concluir as atividades ou em manter o foco; agressividade, isolamento e baixa autoestima; entre outros comportamentos disfuncionais, faz-se necessária intervenção de um especialista da área com o escopo de se receber as orientações apropriadas para cada caso concreto.

A neuropsicologia é uma área da “ciência que se dedica ao estudo dos distúrbios cognitivos e emocionais, bem como dos distúrbios de personalidade”(- Gil,2002,p.1), desvendando as relações entre cognição, comportamento e atividade do sistema nervoso. Assim, sua ênfase é o estudo do processamento da informação, ou seja, das diferentes operações mentais que são necessárias para a execução de determinadas tarefas como fazer cálculos aritméticos, ler, escrever e criar a partir dos estímulos externos.

Sendo uma avaliação de estrema relevância para auxiliar no diagnóstico clínico, assim como na identificação de tratamentos necessários, a avaliação neuropsicológica vem sendo cada vez mais procurada, além de frequentemente indicada por médicos, psicólogos, neurologistas, pediatras, psiquiatras e psicopedagogos, em geral diante da queixa de dificuldades na aprendizagem ou dificuldades comportamentais que possam estar comprometendo o pleno desempenho emocional e cognitivo da criança.

Para um diagnóstico preciso sobre as causas da dificuldade de comportamento ou de aprendizagem escolar, é fundamental identificar os reais motivos que podem estar interferindo no comportamento social, cognitivo e pedagógico do seu filho. Desse modo, a elaboração de uma intervenção terapêutica focada nas necessidades específicas diagnosticadas é medida necessária que se impõe, após identificação da causa dos sintomas em cada caso e mediante as circunstâncias sociais observadas.

A avaliação neuropsicológica se reveste no estudo detalhado dessas funções cognitivas, emocionais e comportamentais, estando agora considerada como uma avaliação funcional do cérebro. Dentre outros pontos, restarão analisadas a capacidade de raciocínio lógico e verbal; memória verbal e operacional (recente e de longo prazo); atenção; processamento auditivo e visuoespacial; funções linguísticas orais e escritas; cálculo e funções executivas; formação de conceitos; processamento da informação e aprendizagem; habilidades motoras; estado emocional e desempenho escolar.

As técnicas principais, além da testagem padronizada, se resumem às observações, entrevistas e questionários, sem embargo da análise de informações colhidas no âmbito familiar e escolar. Para que o diagnóstico seja feito de maneira precisa, o psicólogo com formação em neuropsicologia haverá de considerar os resultados dos testes padronizados, histórico clínico e a trajetória escolar da criança, suas habilidades cognitivas e sociais, bem como os traços da sua personalidade a fim de que se possa examinar a relação entre funcionamento do cérebro e comportamento do indivíduo, tanto na criança quanto no adulto ou pessoa idosa.

Com mais frequência, as crianças são encaminhadas para avaliação neuropsicológica por demanda médica ou escolar, por psicólogo clínico, pais ou responsáveis, com o objetivo de determinar o porquê da existência de certas dificuldades.

A avaliação neuropsicológica também veio para auxiliar o trabalho de outros profissionais na identificação das dificuldades no processo de aprendizagem e dos transtornos neurofuncionais, como Dislexia; Disortografia; Disgrafia, Discalculia; Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH); Transtornos Globais de Desenvolvimento (TGD); Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) e de alterações comportamentais, assim como ainda de dificuldades das habilidades cognitivas, déficit cognitivo e transtornos de personalidade.

As queixas mais frequentes para a procura por avaliação neuropsicológica são: questões de aprendizagem e comportamentos; dificuldades sociais e problemas de controle emocional; e síndromes ou problema genético que afetam o cérebro. O diagnóstico preciso se mostra fundamental para a elaboração de um plano interventivo de ação focada nas necessidades do indivíduo, porquanto identificado precocemente determinado transtorno, se abre a possibilidade do trabalho em seu estágio inicial, proporcionando mais chances de sucesso no respectivo tratamento. A partir daí e quando necessário, será realizado o encaminhamento para os demais profissionais, com a elaboração do programa de reabilitação interventiva neuropsicológica mais adequada para cada caso.

Oportuno ressaltar que a psicopedagogia vem complementar este processo, oferecendo diversas formas de intervenção, desde o desenvolvimento de projetos, ludoterapia, caixa de areia, arterapia, entre outras técnicas que irão priorizar o desenvolvimento das habilidades necessárias ao pleno desempenho da criança tanto na escola quanto na sua vida pregressa.

Além das sessões interventivas realizadas em consultório, visando especificamente ampliar as habilidades cognitivas e emocionais apontadas a partir do resultado da avaliação neuropsicológica, deve-se incluir necessariamente um acompanhamento escolar, objetivando o fornecimento de técnicas adequadas para o perfil de aprendizado do paciente em questão.

Portanto, diante dos primeiros sinais de dificuldade escolar ou comportamental de seu filho, não hesite em procurar ajuda, pois o quanto antes diagnosticada a causa e iniciada sua intervenção terapêutica, melhores resultados serão alcançados para o futuro do paciente.

Sinais de Alerta: 

1. Baixo desempenho na escola;

2. Não consegue aprender conteúdos básicos;

3. Apresenta desempenho médio, mas realiza um esforço extraordinário;

4. Faz as atividades escolares com lentidão acentuada;

5. Têm dificuldades quando as exigências em torno da compreensão de leitura aumentam;

6. Enrola ao máximo para começar a fazer a lição de casa;

7. Faz lições com pressa, deixando-as incompletas;

8. Auxílio extra não trazem a pronta melhora

9. Frequentemente reclama de cansaço, dor de estômago e outros incômodos para não ir à escola;

10. Reclamações gerais sobre a escola;

11. Queixas de que as lições são muito difíceis ou que as aulas são entediantes;

12. Alterações de comportamento e também no seu humor;

13. Repentinos problemas como medo, raiva ou ansiedade excessiva; e perda de confiança e de autoestima;

Matéria Por

JUSSARA BARBOSA DA SILVEIRA

Psicólogo

CRP 20/3214 | Boa Vista

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