O uso da Toxina Botulínica nas Doenças Neurológicas

NEUROLOGISTA

O uso da Toxina Botulínica nas Doenças Neurológicas

As toxinas botulínicas são produtos biológicos sintetizados através de bactérias. Essas toxinas podem ser utilizadas de maneira terapêutica em diversas doenças neurológicas, assim como também têm suas implicações na medicina estética, onde é mais conhecida.

Desde 1989, a agência americana responsável pela regulamentação de medicamentos naquele país permite o uso da toxina botulínica para o tratamento de estrabismo, blefaroespasmo e espasmos faciais. Dentre as condições neurológicas que podemos lançar mão do uso da Toxina Botulínica, estão: distonias, bleaforoespasmo, espasmo hemifacial, espasticidade, sialorreia e migrânea crônica. A substância atua ,principalmente gerando relaxamento muscular que é reversível, o que gera necessidade de aplicações em intervalos médios de 3 a 6 meses.

A distonia é uma condição em que ocorre uma contração muscular anormal de um determinado grupo de músculos. Geralmente causa dor e desconforto, gerando padrões posturais anormais e determinando diversos graus de incapacidade nas pessoas afetadas por essa condição. Pacientes acometidos por acidentes vasculares cerebrais e paralisia cerebral podem apresentar alteração da musculatura que denominamos como espasticidade, caracterizando-se por uma rigidez muscular que impossibilita a realização de alguns movimentos, podendo também gerar deformidade e dificuldade no dia a dia desses pacientes. Nesses casos, o uso da toxina botulínica permite o relaxamento dessa musculatura, contribuindo para a redução de contraturas, tendo um efeito positivo na qualidade de vida desses pacientes, facilitando também outras terapias de reabilitação, tal como a fisioterapia.

A migrânea ou enxaqueca crônica caracteriza-se por crises de dor de cabeça de padrão enxaquecoso por mais que 15 dias no mês sendo, outra indicação de toxina botulínica naqueles pacientes que já realizaram terapia medicamentosa para prevenção da dor e não obtiveram reposta adequada, estando neste contexto indicado a avaliação neurológica, visando estabelecer a necessidade do uso da toxina botulínica com o objetivo de reduzir o número e a intensidade das crises de dor que o paciente apresenta.

O espasmo hemifacial é configurado por contrações musculares involuntárias que acometem os músculos da face da metade do rosto. Outra condição que se manifesta na região da face é o blefaroespasmo, onde ocorre uma contração involuntária das pálpebras, impedindo que o indivíduo consiga abrir os olhos, sendo esta uma causa de cegueira funcional. Nessas condições, a toxina botulínica também tem sua indicação, levando a um maior ganho em qualidade de vida e funcionalidade para essas pessoas.

Como exposto, a toxina botulínica abrange não só a área estética, onde é mais conhecida e divulgada, mas também é de fundamental importância para o tratamento de doenças neurológicas que, muitas vezes, geram perda funcional nas pessoas acometidas por tais condições. O uso da toxina não é desprovido de efeitos colaterais, devendo o médico neurologista capacitado realizar avaliação adequada dos locais de aplicação e doses, visando minimizar o risco de complicações relacionadas ao uso dessa substância, assim como suas indicações em cada caso.

Matéria Por

Felipe Portela

Neurologia

CRM/RR 1625 | RQE 651 |

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