A terapia familiar na solução de conflitos

PSICOLOGIA

A terapia familiar na solução de conflitos

Quando a relação com nossa família está abalada, como reatar esse laço? Com a terapia familiar é possível trabalhar delicados conflitos, no intuito de ter uma convivência mais saudável.

A terapia de famílias é uma forma de trabalho em nosso meio, embora já adotada há mais ou menos 30 anos na América do Norte e Europa. Ela é nova como proposta de atender ao mesmo tempo pais, filhos e até avós e tios, e, se necessário, até mesmo grupo de vizinhança e escola (speck e attneave 1976). A razão de se incluir toda a família no tratamento de problemas de ajustamento baseia-se no fato de que o que ocorre num indivíduo que vive numa família não decorre apenas de condições internas a ele, mas também de um intenso intercâmbio com o contexto mais amplo no qual está inserido. Ele não só recebe o impacto desse ambiente como atua sobre ele, influenciando-o. Nesse enfoque, o terreno da patologia, como diz Minuchin( 1982), é a família.

Não há quem não diga que a relação familiar é complexa, não é mesmo? O que é bastante natural, diga-se de passagem. Afinal, cada ser humano possui características singulares, que vão da idade, ao temperamento, composição genética entre outros fatores.

Neste sentido, é importante que o casal possua uma forte aliança e saiba lidar com os filhos na questão de autoridade. Contudo, mais do que isso, a família como um todo precisa saber lidar com conflitos, além de ter uma cultura de colaboração mútua que satisfaça a todos. Isso porque, quando existem conflitos não resolvidos, é muito provável que haja um distanciamento emocional da família, acarretando em uma disfunção psicológica tanto dos pais quanto dos filhos.

A falta de comunicação, que comumente é o fato gerador desses conflitos, somando à dificuldade de solucionar os problemas familiares, pode acarretar em diversos fatores negativos tanto para o relacionamento amoroso dos pais como para a criação dos filhos. Isto não é algo que nenhuma família busca, não é mesmo?

Relações pessoais nem sempre são fáceis de serem mantidas, seja no trabalho ou no nosso meio social. E, quando a relação com as pessoas que formam parte de nossa família esta abalada, como reatar esse laço? Por meio da terapia familiar é possível trabalhar delicados conflitos, no intuito de ter uma boa convivência mais saudável para todos.

A vida familiar é diferenciada por fatores sociais, religiosos, culturais e afetivos, mas sua estrutura é fundamental no desenvolvimento do ser humano. A família é composta por pessoas que possuem uma relação emotiva, tendo ou não ligação biológica entre si, formando o primeiro grupo do qual o indivíduo fará parte em sua vida.

 

Objetivos da terapia familiar

Entre os principais objetivos da terapia familiar estão:

Promover o autoconhecimento em nível individual e familiar;

Compreender a importância do diálogo e do respeito ao outro;

Reconhecer os padrões que geram os comportamentos;

Melhorar a comunicação e as relações entre os membros da família;

Compreender o papel de cada indivíduo no bom funcionamento da dinâmica familiar;

Aumentar a responsabilidade pessoal;

Favorecer mudanças construtivas de forma a harmonizar o ambiente familiar.

 

Quando uma família precisa da ajuda de um psicólogo

Quando a família não possui uma direção clara para solucionar seus problemas, dizemos que está em conflito. Ou seja, há uma situação de tensão que causa pressão em todos os indivíduos e é preciso realizar ajustes a fim de estabilizar a dinâmica familiar. O psicólogo atua justamente neste ponto: equilíbrio da dinâmica familiar através da terapia. Existem diversos fatores que podem levar uma família a precisar e buscar a ajuda de um psicólogo. Normalmente há essa necessidade quando acontece um evento preocupante ou quando não é possível ter uma relação harmoniosa. Incapazes de lidar sozinhas com seus problemas, as pessoas tendem em tardar muito a procurar esse auxílio e, muitas vezes, a situação já está fora de controle provocando um sofrimento muito grande.

Além da dificuldade nas relações, outro motivo para a realização da terapia familiar é quando há um membro passando por algum transtorno, como depressão, dependência química ou alcoolismo. Esses problemas podem interferir muito na estrutura familiar e a psicoterapia em família pode ser de grande ajuda.

O contrário também acontece, quando esses transtornos emocionais ou comportamentais surgem como alerta de que há a necessidade de alguma intervenção na família. A conclusão é de que a família pode contribuir fortemente tanto para o surgimento como para o tratamento de um transtorno. Independente do motivo, é fundamental que os familiares estejam conscientes de que necessitam de ajuda para enfrentar seus problemas e, principalmente estarem abertos às mudanças propostas.

 

Como funciona a terapia familiar

O que se pretende com o atendimento psicoterapêutico familiar é auxiliar na resolução dos problemas, analisando a relação entre os componentes da família, os papéis desempenhados por estes, a contribuição de cada um nos conflitos que marcam a convivência. A terapia familiar parte do pressuposto de que a família é um sistema e, com isso, a mudança que acontece em um de seus membros interfere no todo.

O papel do psicólogo nesse processo é de promover situações favoráveis a mudanças, por meio de um diálogo claro e aberto. Como cada família tem suas particularidades, a terapia é conduzida de forma personalizada, porém, seu funcionamento é similar. A dinâmica consiste em reunir os membros da família que irão retratar a sua convivência, abrindo espaço para que todos abordem suas sensações, conhecendo assim as experiências um do outro.

Com essas informações sobre o contexto atual da família, somadas ao histórico, é possível determinar em conjunto quais as mudanças necessárias para alcançar o que se deseja.

Durante o processo terapêutico são levantados os problemas visíveis pela família, mas também podem ser percebidos alguns problemas mascarados e de grande importância para a resolução dos conflitos. De acordo com cada caso, há a possibilidade de serem realizadas sessões separadas com determinados integrantes da família, como por exemplo, somente os pais ou apenas os filhos.

Não há um prazo determinado para a finalização da terapia, tudo dependerá do que se pretende solucionar e do andamento das sessões. É importante ressaltar que a intenção não é de apontar culpados ou de julgar alguém, mas sim de realizar um comum esforço para encontrar a melhor forma de solucionar os problemas familiares.

Deve-se ter em conta que cada um é responsável por essa melhoria e que o sucesso do progresso terapêutico apenas se dará com a adesão de todos os envolvidos.

 

A razão de se incluir toda a família no tratamento de problemas de ajustamento baseia-se no fato de que o que ocorre num indivíduo que vive numa família não decorre apenas de condições internas a ele, mas também de um intenso intercâmbio com o contexto mais amplo no qual está inserido.

 

Matéria Por

MARIA ALICE MORAES

Psicólogo

CRP/ 20/3170 | Boa Vista

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