Descolamento de retina: diagnóstico precoce pode impedir a cegueira

Descolamento de retina: diagnóstico precoce pode impedir a cegueira

Doença ocular que afeta um em cada dez brasileiros pode ser curada com diagnóstico precoce, porém, quanto maior a demora no tratamento, mais grave e complicado o caso se torna.

Manchas que se movem com o movimento do olho, flashes recorrentes e a perda parcial da visão podem significar uma doença séria, que se não for tratada, pode levar à cegueira: o Descolamento da Retina (DR). O descolamento de retina é uma doença ocular séria, que afeta mais adultos e pessoas idosas. Todo ano, a cada 10 mil pessoas, uma tem descolamento de retina. Isto quer dizer que para uma população de 280 milhões de habitantes no Brasil, a cada ano ocorrem 28 mil casos novos de descolamento da retina.

Na grande maioria dos casos, apenas uma intervenção cirúrgica basta para reverter o descolamento da retina. Porém, existem situações que precisam de novos procedimentos ou da associação de mais de uma técnica terapêutica. O diagnóstico precoce é fundamental e você vai entender isso a seguir.

Entenda o Deslocamento de Retina

Formada por uma membrana muito delicada por ser fina e flexível, a retina reveste a superfície interna da parte posterior do globo ocular. Nela, existem receptores fotossensíveis que convertem a luz em impulsos elétricos que, através do nervo ótico, são enviados para área do cérebro em que se processa a visão.

Por não possuir nada que a fixe ao globo ocular, quando a retina se descola, ela perde células por se afastar da camada subjacente, a coroideia, que lhe fornece nutrientes e oxigênio. O vítreo, uma substância gelatinosa e transparente, situada entre ela e o cristalino, que a mantém na posição anatomicamente adequada, ou seja, em contato com outras estruturas que lhe garantem suporte e nutrição (vasos sanguíneos e nutrientes). “Essa separação interrompe o fornecimento de nutrientes e promove a degeneração celular e por isso, quanto mais prolongado for esse afastamento, maior o risco de perda permanente de visão. Portanto, o diagnóstico precoce é fundamental”, explica o Drº. Clécio, especialista de Ribeirão Preto/SP.

Causas

Os deslocamentos podem ser provocados por um rasgo na retina, infiltrando líquido do vítreo que se deposita entre o epitélio pigmentar da retina (camada mais externa da retina) e a camada da retina onde estão os fotorreceptores. Esse descolamento é chamado de regmatogênito.

Além disso, o deslocamento pode ser desencadeado por uma tração ou repuxamento na região da retina onde se formaram aderências devido às alterações na superfície da retina (descolamento não regmatogênito ou tracional) ou, ainda, podem ser provocados por tumores ou doenças inflamatórias (descolamento exsudativo) que favorecem o acúmulo do fluido embaixo da retina.

O descolamento da retina é uma urgência médica. Se não for tratado convenientemente e depressa, pode evoluir para perda total da visão.

A idade pode aumentar os riscos: Os descolamentos de retina podem ocorrer em qualquer idade, mas são mais frequentes depois dos 40 anos. Os principais fatores de risco são alto grau de miopia, cirurgia anterior de catarata, glaucoma, trauma nos olhos, na face ou na cabeça, diabetes descompensado, tumores, processos inflamatórios, história familiar da doença, degeneração do vítreo própria do envelhecimento.

Indolor, mas muito incômodo: O descolamento da retina não provoca dor, porém os sintomas vêm associados à visão turva e embaçada, sombra central ou periférica dependendo da região afetada, flashes luminosos (fotopsias), “moscas volantes”, e, nos casos mais graves, perda total da visão.

Diagnóstico e Tratamento: O diagnóstico depende de exames como o mapeamento da retina, exame clínico feito com a pupila dilatada ou a oftalmoscopia indireta e o ultrassom ocular, quando algum obstáculo dificulta observar o fundo do olho. O tratamento depende diretamente do tipo, gravidade e extensão do descolamento. Fotocoagulação com laser e criopexia (congelamento) são recursos terapêuticos para os casos em que não houve infiltração do vítreo pelo espaço que se abriu com a ruptura da retina. O objetivo é formar cicatrizes que interrompam a passagem do vítreo e favoreçam a fixação da retina.

Nos outros quadros, o tratamento é cirúrgico. O objetivo é vedar o orifício por onde escapa o vítreo. Isso pode ser feito por meio das seguintes técnicas operatórias:

Retinopexia Pneumática – injeção de gás na cavidade ocupada pelo vítreo, como forma de pressionar a área descolada da retina e impedir a passagem desse gel pela rasgadura que se formou;

Retinopexia – implantação de uma faixa ou esponja de silicone ao redor do globo ocular para pressionar a esclera (o branco dos olhos) para apoiar a retina e facilitar sua aderência;

Vitrectomia – técnica utilizada não só nos descolamentos de retina, mas no tratamento de outras patologias oculares; através de microincisões, são introduzidos instrumentos de tamanho diminuto para corrigir os defeitos que promoveram o deslocamento da retina.

“Na grande maioria dos casos, apenas uma intervenção cirúrgica basta para reverter o descolamento da retina. Há situações, porém, que requerem novos procedimentos ou a associação de mais de uma técnica terapêutica”, explica o Dr. Clécio.

Recomendações

• Não descuide dos seus olhos, mesmo que você esteja sem nenhum problema aparente de visão. Algumas enfermidades podem ser prevenidas ou tratadas se diagnosticadas precocemente;

• Procure imediatamente um oftalmologista se notar qualquer tipo de alteração visual.

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Matéria Por

CLECIO TAKATA

Oftalmologia

CRM/SP 116669 | RQE 55632 | Ribeirão Preto

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