PSIQUIATRIA

ANSIEDADE: A doença do século

Segundo o dicionário, ansiedade é definida por:

1 - Aflição, angústia, ânsia.

2 - Atitude emotiva concernente ao futuro e que se caracteriza por alternativas de medo e esperança; medo vago adquirido especialmente por generalização de estímulos.

3 - Desejo ardente ou veemente.

4 - Impaciência, insofrimento, sofreguidão.

 

Na realidade, ter ansiedade é considerado normal. É uma reação do organismo a uma possível situação de perigo iminente. Quem nunca se sentiu assim às vésperas de uma entrevista de emprego, por exemplo?

O problema é que, quando disparamos esse mecanismo do cérebro constantemente para “coisas bobas” ou inexistentes, ocorre o aparecimento de sintomas (inclusive físicos, como palpitações, falta de ar, tremores, formigamentos, náuseas, tonturas, sudorese, tensão muscular etc.), com prejuízos em nosso dia a dia. Isso pode gerar comportamentos de esquiva de situações, ou seja, o medo chega a ser paralisante.

Em níveis intoleráveis à mente, pode haver o desencadeamento de transtornos de pânico, fobia social, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Uma analogia que facilita o entendimento é a de um recipiente embaixo de uma goteira: uma hora, está sujeito a transbordar. Necessitamos buscar “válvulas de escape” para que isso não aconteça.

O caráter multifacetado dos sintomas do espectro da ansiedade faz com que a maioria dos pacientes procure unidades de emergência, cardiologista, pneumologista ou gastroenterologista. Uma avaliação clínica inicial das diferentes funções orgânicas é essencial, mas a hipótese do ponto de vista psiquiátrico sempre deve ser aventada desde o início.

Nos dias atuais, os transtornos de ansiedade atingem cerca de 33% da população, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e 4 em cada 10 brasileiros, de acordo com o Instituto de Pesquisa e Orientação da Mente (IPOM).

“Estamos vivendo no automático, com pressa, grudados no celular, irritados com o trânsito. Com menos tempo, estamos sempre preocupados se estamos fazendo tudo correto e, às vezes, nos culpamos, não conseguimos dormir”, segundo Myriam Durante, em seu livro Ansiedade: Aprenda a Controlar sua Ansiedade e Viva Melhor.

Para o tratamento, engana-se quem pensa apenas em medicamentos (em geral, antidepressivos e benzodiazepínicos, os famosos “calmantes”), que devem ser utilizados criteriosamente e com acompanhamento de um especialista. Estes são apenas um dos pilares que sustentam a recuperação e a manutenção da melhora ao longo da vida.

É importante aliar-se, também, outros tipos de intervenções, tais como: psicoterapia (especialmente a cognitivo-comportamental, que coloca à prova os pensamentos causadores de angústia e promove tomadas de atitudes positivas), atividade física regular, técnicas de respiração e relaxamento, reeducação alimentar e, para as pessoas que têm espiritualidade, independentemente da vertente, exercitar a fé.

Em resumo: adotar um estilo de vida saudável beneficia o corpo e a mente!

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Matéria Por

JULIANA CRISTINA GIACOMELLI

Psiquiatria

CRM/SP 145.311 | RQE: 61191 | Araçatuba

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