Alterações da memória: Quando preocupar?

PSIQUIATRIA

Alterações da memória: Quando preocupar?

Queixas de “esquecimentos ou memória fraca” estão se tornando frequentes na atualidade. Não raro escuto pacientes dizendo que tem se esquecido de compromissos, objetos, nomes de pessoas ou coisas no cotidiano. Mas quando essas queixas de fato denotam um problema sério da memória? A memória é uma função essencial à qualidade de vida do ser humano. Ela pode ser definida como a capacidade de registrar, codificar, armazenar e evocar informações. Como ela funciona? De acordo com a teoria de Atkinson e Shiffrin de 1968, a informação é inicialmente registrada e armazenada em um estoque de curto prazo e subsequentemente transferida para o estoque da memória de longo prazo por intermédio da repetição.

A maior parte das informações estocadas na memória de curto prazo se perde, pois não necessitamos armazenar tudo que recebemos. Distração, falta de atenção, excesso de informações, distúrbios emocionais como ansiedade e depressão podem comprometer o registro e favorecer o esquecimento. As lembranças recentes são as mais vulneráveis, ou seja, quanto mais recente o registro, mais facilmente ele pode ser esquecido. Fazer ligações ou associações entre as informações novas e as que já possuímos, repetir e relembrar contribuem para o processo de consolidação na memória de longo prazo. À medida que a população envelhece, a demência de Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas aumentam sua prevalência.

Nestes casos há degeneração de áreas cerebrais responsáveis pelo armazenamento da memória. Assim, o rastreamento de declínios cognitivos nesta população se faz necessário. Já entre os mais jovens as principais doenças que causam dificuldade de memória são: distúrbio de ansiedade, depressão, falta de sono adequado, sobrecarga mental, uso e abuso de substâncias psicoativas, problemas nutricionais e hormonais. Estudos científicos demonstram que situações de estresse crônico levam à liberação excessiva do hormônio cortisol. Isso pode prejudicar a memória de curto prazo ou até mesmo causar atrofia de regiões do cérebro relacionadas ao armazenamento de informações.

O importante é observar qual é a dificuldade presente e com qual frequência ela aparece. Esquecimentos eventuais, especialmente em momentos de muito cansaço ou abalos emocionais, costumam ser aceitáveis. Se o problema se tornar frequente e começar a atrapalhar a vida diária, a avaliação de um médico é essencial para afastar alguma doença. O Alzheimer, demência mais comum na população mundial, acomete geralmente pessoas acima de 60 anos. Antes dessa idade, essa e outras doenças neurodegenerativas raramente afetam jovens.

Uma boa qualidade de vida com prática de atividades físicas, dieta equilibrada e padrão de sono adequado é essencial para o melhor desempenho da memória. Atitudes simples como: ler, evitar uso excessivo de celular, montar quebra-cabeças, exercitar- se e experimentar novas atividades podem ser boas opções para quem quer manter uma memória saudável. Atualmente, existem até aplicativos na internet que estimulam o cérebro. Cuidar da memória é importante para o seu bom funcionamento durante toda a vida, e fará diferença mesmo durante o processo de envelhecimento.

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Matéria Por

Wendell Ribeiro Oliveira

Psiquiatria

CRM/MG: 40.882 | RQE: 22.443 | Uberlândia

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