Disfunção Temporomandibular e Zumbido

ODONTOLOGIA

Disfunção Temporomandibular e Zumbido

Segundo a Academia Americana de Dor Orofacial, a Disfunção Temporomandibular (DTM) é definida como um conjunto de distúrbios que envolvem os músculos da mastigação, as articulações temporomandibulares (ATMs) e estruturas associadas. Os sinais e sintomas mais frequentemente relatados pelos pacientes com DTM, em geral são: dores na face, na articulação temporomandibular (ATM), nos músculos da mastigação, dores na cabeça, barulhos na ATM, como estalos e crepitação (sensação de areia no ouvido), limitação de abertura de boca e dos movimentos mandibulares, etc.

Além disso, os pacientes podem relatar manifestações otológicas (no ouvido) como: sensação de plenitude auricular (tamponamento), vertigem, otalgia (dor) e zumbido. O zumbido é um sintoma que pode surgir por inúmeros motivos. E afinal, o que seria o zumbido? Zumbido é um som “subjetivo” que é percebido nos ouvidos ou na cabeça na ausência de qualquer fonte sonora externa. O zumbido é uma condição comum na população, para alguns pacientes ele não incomoda, para outros porém, sua presença pode ser incapacitante. A diminuição da tolerância ao som (hiperacusia) é um sintoma que normalmente acompanha o zumbido, esses pacientes normalmente ficam mais conscientes do zumbido durante a noite, quando os ruídos do ambiente reduzem, tornando o “som” do zumbido mais perceptível, atrapalhando muitas vezes o sono.

Como fatores de risco para o aparecimento do zumbido temos:

• a perda auditiva
• exposição a ruídos de alta intensidade no passado
• hipertensão arterial
• diabetes
• trauma na região da cabeça
• fatores reumatológicos
• hipertireiodismo
• medicamentos ototóxicos
• excesso de cafeína/ álcool
• fatores psicológicos como ansiedade e depressão
• patologias otológicas
• tumores
• DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR.

Como a perda auditiva é uma das grandes causadoras do zumbido, os pacientes que apresentam o sintoma devem ser encaminhados primeiramente ao médico otorrinolaringologista. Após serem excluídas as possíveis causas otorrinolaringológicas ou sistêmicas, e o paciente apresentar sinais e sintomas de DTM juntamente com o surgimento do zumbido, o paciente então pode ser encaminhado ao especialista em DTM, para avaliar se o zumbido é uma entidade isolada ou uma manifestação otológica da DTM.

Várias teorias tentaram ao longo dos anos explicar a associação entre DTM e zumbido. A primeira foi proposta em 1934, pelo médico otorrinolaringologista J. Costen. Sua teoria, conhecida no passado como síndrome de Costen, sugeria que a ausência de dentes na região posterior da arcada dentária poderia aumentar a pressão sobre as estruturas auriculares causando sintomas otológicos. Em 1962, outra teoria surgiu afirmando que o zumbido era causado pela tração do ligamento discomaleolar ( ligamento de Pinto) pelo disco articular, ligamento esse que ligaria o disco articular ao martelo (ossículo do ouvido).

Em 1964, Myrhaug sugeriu que a tensão muscular do músculo tensor do tímpano e tensor do véu palatino que se ligam ao martelo seriam responsáveis pelos sintomas otológicos. E por último a teoria aceita hoje em dia, a teoria somatossensorial, onde os sintomas auditivos podem ser influenciados por alterações neuroplásticas no sistema nervoso central similar aquelas envolvidas nas dores crônicas, alterações que ocorrem com frequência em pacientes com DTM crônica.

O zumbido associado à DTM é normalmente descrito através de relatos de casos e pesquisas científicas, como sendo de alta frequência (agudo), intensidade moderada, esporádico, de curta duração, descrito como o som de um apito, que segue após a plenitude auricular ( tamponamento do ouvido), e que cessa ou diminui após movimento mandibular. Mas pode haver variações destas características clínicas entre os pacientes. O tratamento do zumbido advindo de uma DTM é voltado para o controle da DTM em si, através do controle de hábitos parafuncionais como bruxismo e onicofagia, aconselhamento (evitar comportamentos que exacerbem os sintomas de DTM), utilização de medicamentos, dispositivos interoclusais, fisioterapia, intervenção comportamental e psicossocial.

Diferentes estratégias são usadas na prática clínica no tratamento das DTMs com respostas variáveis, podendo dessa forma ter um impacto positivo no controle do zumbido advindo da DTM. Sempre lembrando que existem mais de 300 causas de zumbido e uma grande quantidade de causas devem ser investigadas antes de se atribuir o sintoma do zumbido a uma DTM.

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Matéria Por

ALESSANDRA DE CEZARO CAVALER

Odontologia

CRO/SC 4560 | Criciúma

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