ESPECIAL CAPA

Urticária na Infância

“Doutora, meu filho está empolado!”. Relato frequente em pronto-atendimento pediátrico. Vamos então fazer um breve resumo do que pode se tratar esse quadro clínico tão comum na pediatria. A urticária é uma manifestação clínica comum na infância, caracterizada por lesões papulosas, de tamanho variável, eritematosas, pruriginosas (placas vermelhas elevadas, que coçam), às vezes com sensação de queimação, com pele voltando ao aspecto normal, geralmente em 1 a 24 horas. Classificada como urticária aguda, quando apresenta duração dos sintomas menor que 6 semanas, e crônica, quando essa duração ultrapassa 6 semanas. Sendo a forma aguda a mais comum na infância, podendo estar associada ou não à angioedema predominantemente labial e palpebral (inchaço nos olhos e bocas).

A urticária aguda acomete 15 a 20% da população em algum momento da vida. Estima- -se prevalência entre 2,1 e 6,7% em crianças e adolescentes. Pode ser desencadeada por reações imunológicas (mediadas pela imunoglobulina Ig E) ou não imunológicas (sem participação da IgE). A urticária aguda na infância pode ser desencadeada por inúmeros fatores, dentre eles: infecções - 47,9% (virais, bacterianas, fúngicas e parasitárias); alimentos - 23,7% (amendoim, castanhas, frutos do mar, leite, ovo...); medicamentos - 12,4% (antibióticos, anti-inflamatórios...); inalantes - 1,7%; picadas de inseto, contactantes - 0,2%; causas desconhecidas - 13%. A urticária crônica pode ser a manifestação inicial de doenças sistêmicas crônicas ou fenômenos de autoimunidade (Lúpus Eritematoso Sistêmico, Artrite Idiopática Juvenil, Hiper ou Hipotireoidismo, Linfoma, Mastocitose...), ou ainda as urticárias físicas (urticária ao frio, por pressão, solar, aquagênica...). 

Como se faz o diagnóstico?

Para o diagnóstico, é necessária uma história clínica bem detalhada, juntamente com exame físico. Na grande maioria das urticárias agudas, não há necessidade de exames complementares, mas, quando precisamos, podemos realizar o teste cutâneo (prick-test); exames de sangue para pesquisa específica de algum alérgeno, pelos métodos de RAST ou Immunocap; teste de provocação oral (para alimentos e medicamentos); teste de contato (Patch-test) quando suspeitamos de urticária de contato. Nas urticárias crônicas, solicitamos exames laboratoriais como: Hemograma completo, Imunoglobulinas, função renal, hepática e tireoidiana, sorologias para alguns vírus, exame de urina e fezes. E ainda alguns testes específicos para os casos de urticária física.

Tratamento

O tratamento é baseado na remoção do agente causal, com orientação sobre a doença, e medicação sintomática. Sendo os anti-histamínicos de segunda geração os de primeira escolha, podendo ser necessária associação de outros medicamentos (corticosteroide, anti- -histamínico H2). E nos casos de urticária crônica, medicações com ação imunossupressora (ciclosporina, colchicina, dapsona, anticorpo monoclonal anti - IgE...). A urticária ainda é um desafio para pediatras e alergistas. Procure sempre um médico para melhor avaliação e diagnóstico.

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Matéria Por

Éthel Barbosa Raunheitti de Souza

Médica

CRM/MT 8237 | Rondonópolis

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