Baixa Estatura: uma questão estética ou de saúde?

ENDOCRINOLOGIA

Baixa Estatura: uma questão estética ou de saúde?

Entrevista com a Dr. Liliana Angélica.

1 - Muitas vezes os pais procuram o médico porque acreditam que seu filho está baixo. Quando podemos afirmar que a criança tem baixa estatura?

A criança tem baixa estatura quando sua altura encontra-se 2 desvios padrões abaixo da média populacional para idade e sexo ou 1 desvio padrão abaixo do seu alvo estatural familiar ou quando apresenta baixa velocidade de crescimento. Essa avaliação é realizada clinicamente com auxílio do gráfico de crescimento e com as medidas estaturais da criança e dos pais.

2 - Quais são as causas da baixa estatura?

As principais causas de baixa estatura estão relacionadas a doenças crônicas como Doença Celíaca, Cardiopatias, Doenças renais. Dentre as causas endocrinológicas, a principal causa é Hipotireoidismo. A deficiência do hormônio de crescimento pode estar presente, mas menos comummente.

3 - Existe tratamento para baixa estatura? O uso do hormônio do crescimento é sempre necessário?

Para tratar a baixa estatura é preciso primeiramente identificar a causa. Por exemplo, se a causa é uma doença disabsortiva, como a doença celíaca, com a retirada do glúten da dieta, a criança retoma o crescimento normal; se a causa é o hipotireoidismo, a reposição de hormônios tireoidianos deve ser iniciada. O uso de hormônio de crescimento fica restrito àquelas causas onde o resultado com seu uso já está comprovado e, por isso, há liberação pelos órgãos competentes.

4) Quando o uso do hormônio de crescimento, ”Growth Hormone” (GH), está indicado?

O FDA (US Food and drug admistration) indica a reposição hormonal com GH para as seguintes situações:

 • Deficiênciacia de GH;

 • Síndrome de Turner;

 • Insuficiência Renal Crônica;

 • Crianças nascidas pequenas para idade gestacional;

 • Baixa estatura idiomática;

 • Sindrome de Prader Willi.

5 - Quando indicado, como é feito o tratamento com hormônio de crescimento?

O tratamento com GH é feito com injeções diárias, aplicadas ao deitar, por via subcutânea. A dose pode ser calculada pelo peso do paciente ou pela sua superfície corpórea. As aplicações vão até que o crescimento ósseo permita, respeitando o alvo genético estatural da criança, o desejo de interromper o tratamento pela mesma e, ainda, enquanto houver resposta satisfatória com o uso da medicação.

6 - Existem efeitos colaterais com o uso desse medicamento?

O uso do hormônio de crescimento requer acompanhamento, com avaliação clínica frequente e exames de controle específicos, para que sejam minimizados os riscos de efeitos colaterais. Mas, em geral, ele é bem tolerado.

7 - Que mensagem deixar para os pais que querem filhos mais altos que a genética permite?

O crescimento estatural resulta da integração de fatores genéticos e ambientais. Desta forma, diferente do que a maioria pensa, não basta dar hormônio de crescimento para que uma criança atinja uma determinada altura desejada. Existem indicações bem estabelecidas para seu uso e limites de resultados a serem alcançados. Os pais devem ter em mente que mais importante que ter um filho alto, é ter um filho saudável; que altura não é sinônimo de sucesso ou felicidade. Se a altura da criança é compatível com suas perspectivas genéticas e não há indícios de doenças orgânicas, não há porque se preocupar.

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Matéria Por

Liliana Angélica Bandos Benittez

Endocrinologia e Metabologia

CRM/RO 3982 | RQE 982 | RQE 983 | Porto Velho

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