Otorrinolaringologia: Novos rumos a partir da medicina integrativa - I

OTORRINOLARINGOLOGIA

Otorrinolaringologia: Novos rumos a partir da medicina integrativa - I

“Chegamos num momento em que só o aumento no número de anos já não satisfaz a demanda dos pacientes. Buscase não só mais anos de vida, mas vida nestes anos.“ Por mais que vivamos situações que nos façam pensar ao contrário, a nossa vida é um constante evoluir. Graças a esta evolução, a medicina avançou muito em conhecimento e recursos oferecendo a população um atendimento que possibilitou uma maior expectativa de vida. Contudo chegamos num momento em que só o aumento no número de anos já não satisfaz a demanda dos pacientes.

Busca- se não só mais anos de vida, mas vida nestes anos. A prática da medicina ocidental tem caminhado para um atendimento compartimentalizado. As escolas médicas, as pós graduações e o próprio mercado empurram cada vez mais os médicos para atividades específicas. O resultado disso é que há tratamentos cada vez mais complexos e potentes, uma falta de individualização/ personalização no atendimento, onde muitas vezes se procura colocar os sintomas do paciente num diagnóstico, ao invés de se fazer o diagnóstico do paciente, isto sem contar o aumento das doenças crônico-degenerativas.

Vemos hoje o surgimento da chamada Medicina Integrativa, que a meu ver não tem nada de novo, a não ser pelo reconhecimento de que não encontramos todas as respostas na chamada medicina convencional. Esta é uma verdade muito bem identificada em algumas doenças crônicas, onde praticamente não há diferença de tratamento entre países do primeiro ou terceiro mundo. Um exemplo disso? Rinite alérgica onde o uso de antialérgicos é o protocolo em qualquer país. Tudo bem, antes que alguém se alvoroce, há novidades com os chamados medicamentos imunobiológicos.

Mas a pergunta é, o que tem levado a este aumento dos casos de rinite? Na verdade a Medicina Integrativa não vem substituir a Medicina Convencional, mas também integrar o conhecimento e aplicação de práticas médicas milenares como a medicina chinesa e ayurveda (indiana), homeopatia, fisioterapia etc, jamais esquecendo do primum non nocere, termo atribuído a Hipócrates, pai da medicina, que significa primeiro, não prejudicar. Na Medicina Integrativa busca-se uma abordagem personalizada. Todos os pacientes são iguais? Evidentemente que não!

Então por que os tratamentos devem ser iguais, radicalmente baseados em protocolos? Há que se buscar além das características individuais do paciente, informações sobre todos os sistemas (órgãos), bem como informações do contexto que vive. Uma situação fácil para explicar é o uso indiscriminado de antibióticos. Problema sério que a própria medicina convencional tem se debatido muito por conta do aumento de resistência bacteriana. Cada vez mais temos informações relevantes sobre a nossa microbiota intestinal e da sua ação sobre a nossa imunidade.

Pois bem, o uso de antibióticos, mesmo que extremamente necessário, pode comprometer a integridade desta microbiota por 2 anos! Estamos cansados de escutar a história de paciente que teve uma gripe no começo do outono, foi medicado com antibiótico e que só foi melhorar mesmo no final do ano. É por esta e por outras que a otorrino integrativa vem cada vez mais ganhando espaço!

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Matéria Por

Francisco Barros

Otorrinolaringologia

CRM/PR 9676 | RQE 3035 | Ponta Grossa

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