Obesidade e a relação com o câncer

ENDOCRINOLOGIA

Obesidade e a relação com o câncer

A prevalência do sobrepeso e obesidade está aumentando rapidamente em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento como o Brasil. Evidências científicas apontam uma grande associação entre obesidade e o risco aumentado de câncer de mama, endométrio, cólon, rins e adenomas esofágicos malignos. Os indivíduos obesos têm 1,5 a 3,5 vezes mais chances de desenvolver esses tipos de câncer, quando comparados a indivíduos com o peso normal. 

A obesidade abdominal, definida pela circunferência da cintura maior que 102 cm em homens e maior que 88 cm em mulheres tem sido correlacionada mais fortemente a certos tipos de câncer do que à obesidade definida pelo alto IMC. A gordura do abdômen é metabolicamente mais ativa, secretando maior quantidade de citocinas inflamatórias, mantendo o corpo em um estado inflamatório constante e devendo ser eliminada o quanto antes do organismo por uma questão de saúde principalmente.

Câncer de Mama: O período pós- -menopausa é marcado por importantes alterações nos hormônios sexuais e citocinas inflamatórias. Estudos demonstram que há aumento do risco de câncer de mama em mulheres pós- -menopausadas que possuem a forma corporal do tipo androide, levando em consideração o tamanho da cintura e do quadril. Esses resultados confirmaram que a adiposidade central (abdominal) está positivamente associada ao maior risco para câncer de mama no período pós-menopausa.

Câncer de Próstata: O envelhecimento e a obesidade estão relacionados com maior risco de hiperplasia da próstata, reduzindo as concentrações de testosterona e predispondo a deposição preferencial de gordura visceral. O aumento da obesidade abdominal também induz o aumento da pressão venosa, causando uma progressiva incapacidade das válvulas venosas, que tem relação com aparecimento de lesões na próstata. Tais lesões, de maneira crônica, podem evoluir para a hiperplasia prostática.

OBESIDADE, TOXINAS E CARCINOGÊNESE:

Uma condição chamada de ESTRESSE OXIDATIVO ocorre em nosso organismo quando há uma desordem na quantidade de RADICAIS LIVRES e ESPÉCIES REATIVAS DE OXIGÊNIO. Nosso organismo, estando com uma grande quantidade de células pró-inflamatórias (principalmente relacionadas a obesidade abdominal) tem se relacionado à um grande número de lesões teciduais envolvidas no mecanismo de diferentes doenças humanas, incluindo o câncer.

Compostos bioativos e que ajudam na desintoxicação do organismo, como vitaminas, sais minerais, fibras e fitoquímicos, presentes em frutas e verduras, podem atenuar os efeitos carcinogênicos de substâncias acumuladas em nosso corpo. Estudos demonstram que substâncias antioxidantes, incluindo nutrientes específicos como Vitaminas D, E, C, Zinco, Selênio, Ácidos Graxos Ômega 3 e fitoquímicos, são responsáveis pela modulação da expressão de genes e importantes para a síntese de enzimas envolvidas no processo de desintoxicação celular.

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Matéria Por

Paulo Lara

Médico

CRM/PR 37.389 | Ponta Grossa

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