PSIQUIATRIA

Quando a vida perde o colorido... O olhar acinzentado do depressivo!

Quem já não se sentiu, diante de uma situação seja ela pessoal, familiar ou de trabalho, como se o “fardo” da vida fosse maior que a capacidade de suportar, tudo se tornando mais difícil ou até retrocedendo. O fato é que isto acontece porque as dificuldades, as perdas, os danos, as dúvidas, as frustrações são inerentes a experiência de vida de todos os seres humanos. Isto de certa forma, entender- se-ia como: tristeza, ou seja, acontece mas passa! Agora quando se fala de Transtorno Depressivo Maior (Depressão) existem critérios diagnósticos que devem ser atendidos, tais como:

• Humor deprimido e/ou falta de interesse/ motivação;
• Baixa autoestima;
• Sentimento de inutilidade (culpa/autorecriminação);
• Redução da energia mental/ física (esgotamento/ fadiga);
• Ausência da capacidade de sentir prazer, alegria, felicidade (“gosto de viver”);
• Alterações psicomotoras (lentificação dos reflexos, agitação):
• Alterações do sono (insônia ou hipersonia);
• Aumento ou diminuição do apetite;
• Pensamentos de morte e suicídio;
• Queixas somáticas (dores);
• Sensação de angústia, vazio, irritabilidade;
• Alteração da vida sexual (baixa da libido), entre outras.

Quando cinco ou mais destes critérios estiverem presentes, por no mínimo duas semanas, a maior parte dos dias, quase todos os dias além de haver uma significante mudança e/ou sofrimento em relação ao funcionamento global anterior, provavelmente exista um quadro depressivo. Deve-se levar em conta, no diagnóstico quando a depressão está presente mas não é o transtorno de base, como por exemplo:

• Outros transtornos mentais (Ex: transtorno de humor bipolar);
• Abuso de álcool e/ou drogas ilícitas;
• Doenças orgânicas (hipotireoidismo, câncer, infarto, diabetes, gestação, acidente vascular cerebral, etc);
• Medicamentos (alguns antidepressivos, anorexígenos, etc), entre outras causas.

Sabe-se hoje que o desencadear do Transtorno Depressivo Maior é multifatorial, assim como a maioria das doenças psiquiátricas. Sendo que os principais são: a predisposição genética (herdabilidade em torno de 40%) e fatores ambientais (estressores causados pela vida moderna, acontecimentos externos: morte de entes queridos, perda do emprego, crise financeira, traumas psíquicos atuais ou na infância (abuso sexual, violência psíquica/física), entre tantos outros aspectos que dependendo da forma que são vivenciados trazem grande comprometimento para a saúde mental do ser.

Para os quadros de depressão leve a abordagem terapêutica, em muitos casos, utiliza-se medidas não farmacológica, contemplando psicoterapia, bem como mudanças comportamentais e de hábitos de vida (como: dieta saudável, moderação no consumo de bebidas alcóolicas, atividade física regular, cuidados com a qualidade do sono, bem como a socialização e resgate da autoestima). Já para os quadros de depressão moderados e graves (com ou sem sintomas psicóticos) a escolha por um medicamento, além de uma maior atenção no sentido de cuidados feito pela rede de apoio em domicílio (quanto a supervisão do paciente, administração e controle das medicações nos casos em que sejam necessários) e as vezes internação psiquiátrica.

Uma atenção especial deve ser dispensada aos pacientes graves, pois notadamente há risco elevado da tentativa de suicídio. A precocidade do diagnóstico e tratamento especializado favorecem sobremaneira a resposta terapêutica e o impacto da doença na vida do paciente. No entanto, tão ruim também para quem tem o transtorno de uma forma mais cronificada/ recidivante, observa- se uma sensação de angústia, vazio, menos valia, incapacidade funcional que as vezes os acompanha ao longo da vida. “Vazio difícil de encher”.

Considera-se então a importância em buscar atendimento como uma forma de amenizar e muito o sofrimento psíquico, infundir a esperança que pode sim, se não for curado, aliviado o sofrimento. Muitas vezes os familiares/ amigos próximos são quem trazem pela mão o paciente deprimido. Saber que não está só, não está tudo acabado, embora a doença muitas vezes faça-o acreditar nisto, sem dúvida deve ser o principal aspecto para deixar de sofrer sozinho e aceitar o tratamento. Saber que não está só, não está tudo acabado, embora a doença muitas vezes faça-o acreditar nisto, sem dúvida deve ser o principal aspecto para deixar de sofrer sozinho, e aceitar o tratamento.

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Matéria Por

Angeli Cristine Kaiser

Psiquiatria

CRM/PR: 22919 | RQE 18982 | Ponta Grossa

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