A síndrome do respirador bucal

OTORRINOLARINGOLOGIA

A síndrome do respirador bucal

O Nariz tem a função de aquecer, umidificar e filtrar o ar inspirado, além de nos proporcionar o olfato e sentir os cheiros. Quando respiramos muito ou apenas pela boca, passamos a adotar posicionamentos adaptativos para a respiração bucal. Posicionamento de língua, lábio inferior frouxo e cabeça projetada para frente. Tais adaptações, com o tempo, acabam levando a alterações da face, que fica mais alongada e estreita, e da oclusão dos dentes de cima com os de baixo, além de modificar as funções das quais a boca participa, como a mastigação e fala. Além disso, se não respiramos pelo nariz, não filtramos o ar inspirado, o que propicia condições para um maior número de gripes, sinusites, faringites, rinites e crises de asma. Como estas alterações são de instalação lenta e progressiva, elas nem sempre são percebidas pelo paciente ou familiares. O ideal é diagnosticar o respirador bucal o mais precocemente possível. Em geral o pediatra e o dentista são os primeiros a suspeitarem que o quadro está se instalando, devendo sempre solicitar avaliação de um otorrinolaringologista. Dentre os fatores que identificam o respirador bucal, temos: lábios afastados (quando sorri expõe a gengiva; cansa para comer pois necessita fazer pausas para respirar pela boca, mastiga pouco (se alimenta mal) e não gosta de sólidos; face mais estreita e alongada, céu da boca alto (palato ogival) e pode haver vários tipos de má oclusão dos dentes. Acumula saliva, cuspindo ao falar ou babando à noite. Pode roncar e até mesmo ter apnéia de sono (pausa respiratória por mais de 10 segundos).

Outros sinais e sintomas de respiração bucal são:

• Dor de garganta;
• Ardência, coceira e secreção na garganta;
• Tosse seca persistente;
• Dores de cabeça;
• Mau hálito;
• Enurese noturna;
• Sonolência / irritabilidade;
• Desatenção e mau aproveitamento escolar;
• Aumento de cáries dentárias.

Os principais que podem levar à respiração bucal são as que causam obstrução nasal como:

• Hipertofria adeno-amigdaliana;
• Rinites;
• Rinossinusites;
• Tumores nasais benignos e malignos;
• Polipose nasal;
• Desvios do septo nasal;
• Malformações da cavidade nasal.

Na criança, uma das principais causas é a hipertrofia de adenóides e amígdalas sendo o tratamento cirúrgico recomendado em alguns casos. Em outros casos a respiração bucal pode surgir em decorrência de stress e ansiedade, não havendo uma doença física originando o problema. Este paciente deve ser tratado por um psicólogo ou psiquiatra. O respirador Bucal deve ser acompanhado e tratado por equipe multidisciplinar, que inclui o otorrinolaringologista e fonoaudiólogo. A família deve ficar atenta, juntamente com pediatras e odontopediatras aos sinais e sintomas do Respirador Bucal. O tratamento difere em cada caso. O diagnóstico e tratamento precoce são importantes, pois evita o desenvolvimento de graves deformidades orofaciais e torácicas, além do prejuízo escolar e emocional.

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Matéria Por

Newton Alves Remaile

Otorrinolaringologia

CRM/PR 27924 | RQE 843 | Maringá

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