Blefarite, Hordéolo e Calázio

Blefarite, Hordéolo e Calázio

Estas doenças das pálpebras estão entre os problemas oculares mais comuns; são condições relacionadas entre si, mas com características diferentes.

Estima-se que quase 40% das consultas oftalmológicas nos Estados Unidos sejam motivadas por sinais e sintomas relacionadas à blefarite, ao hordéolo ou ao calázio.

As blefarites constituem um grupo de enfermidades muito comum na Oftalmologia. A alta frequência é, provavelmente, relacionada ao fato de a borda palpebral estar muito sujeito a inflamações de causas variadas - alérgicas, infecciosas, metabólicas, etc. Ela é uma inflamação crônica das pálpebras e pode acometer pessoas em todas as faixas etárias. Costuma-se iniciar na infância e, muitas vezes, se prolongam por toda a vida, passando por fases de melhora e piora. Os principais sinais e sintomas são: vermelhidão das margens palpebrais que se apresentam congestas e do próprio olho, presença de pequenas crostas ou caspas presas aos cílios das pálpebras superior e inferior, lacrimejamento, ardor e sensação de areia nos olhos. Esta inflamação pode afetar as glândulas externas da pálpebra que situam em torno dos cílios e, principalmente, as glândulas internas, conhecidas como glândulas de Meibomius, responsáveis pela produção da camada de gordura, que faz parte da lágrima e a impede que se evapore muito rápido.

O hordéolo e o calázio, muitas vezes, são consequências da blefarite que não é identificada e se não tratada mantém um ciclo de inflamação que leva a hordéolos de repetição.

O hordéolo, também conhecido como terçol, ocorre quando uma das glândulas citadas sofre um processo infeccioso agudo pela invasão de uma bactéria - geralmente Staphylococcus aureus - presente na pele palpebral. O processo é muito semelhante ao que ocorre na formação da acne comum na pele (espinhas). Os sinais e sintomas são: dor localizada que pode ser sentida até mesmo no piscar dos olhos, edema, podendo haver pequeno abcesso localizado na glândula acometida.

O calázio por sua vez ocorre por uma retenção em forma de cisto após o quadro agudo do hordéolo e não apresenta mais sinais inflamatórios, porém apenas uma nodulação palpebral.

O tratamento das blefarites consiste em higiene das pálpebras e cílios com auxílio de shampoo neutro e uso de pomadas ou colírios contendo antibióticos e corticoides. Nos casos mais severos, medicamentos orais poderão ser usados.

Em uso de maquiagem, é importante que esta seja removida à noite, pois o uso demasiado sem a devida higiene na pele pode ser uma das causas da blefarite. Um conselho: evite compartilhar sua maquiagem para evitar contaminações.

No caso de hordéolo (terçol), por ser uma infecção aguda, deve ser tratado como tal. O uso de compressas mornas (por 15 min, 4 vezes/ dia) é sempre indicado para promover a drenagem da secreção retida dentro da glândula, podendo ser necessário o uso de colírios e pomadas oftalmológicas com associação de antibióticos e anti-inflamatórios por um período de 7 a 15 dias. Quadros muito intensos e com várias áreas das pálpebras acometidas devem ser acompanhados de perto e antibióticos orais devem ser instituídos em casos selecionados, como em crianças e idosos, pois podem evoluir para infecções da pálpebra e da órbita que podem ser mais graves.

O calázio deve ser acompanhado nos primeiros três a seis meses de evolução, já que a grande maioria regride sem a necessidade de tratamento. Lesões maiores que causam constrangimentos por sua aparência podem ser submetidas a cirurgias para sua remoção. Não se utiliza antibioticoterapia, pois os calázios são estéreis.

Em resumo, a blefarite, bem controlada, pode evitar episódios de hordéolos e calázios, diminuindo a necessidade de tratamentos clínico e cirúrgico, além de preservar a integridade da superfície ocular, essencial para a função visual normal.

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Matéria Por

WALTER ROCHA PEREIRA

Oftalmologia

CRM 52428437 | RQE 10766 | Macaé

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