Constipação Intestinal na criança

CIRURGIA PEDIÁTRICA

Constipação Intestinal na criança

A constipação intestinal, diferentemente do que se imagina, tem sua definição embasada mais na mudança do tamanho, consistência ou facilidade de passagem das fezes, do que na frequência das evacuações. O hábito intestinal normal de uma criança entre 1 e 4 anos de idade é de três evacuações ao dia, a uma vez, a cada dois dias.

A constipação intestinal é definida por uma frequência fecal menor que três vezes por semana, ocorrência de evacuações dolorosas e eliminadas com esforço, comumente acompanhada de choro. A constipação intestinal crônica geralmente decorre de situações, como transição alimentar e retirada das fraldas, em que a criança passa ter as fezes mais endurecidas.

Quando não abordado de forma correta, a criança associa o ato evacuatório a dor e sofrimento. Como mecanismo de defesa a criança desenvolve o hábito de segurar as fezes, que as tornam mais volumosas e endurecidas, levando a maior dor nas próximas evacuações. Esse comportamento é observado quando a criança está com vontade de evacuar.

Ela se isola nos cantos dos cômodos, permanece agachada, chorosa, com sudorese e palidez cutânea. Os pais entendem que a mesma está querendo evacuar, mas na verdade elas estão fazendo força para não eliminar as fezes por medo. Nos casos mais avançados as crianças podem apresentar perda fecal involuntária( escape fecal) que resulta em exclusão social e trauma emocionais.

O diagnóstico é realizado através de uma avaliação detalhada dos hábitos alimentares, comportamento evacuatório da criança e exclusão de algumas patologias orgânicas. O tratamento clinico é multidisciplinar(médico, psicólogo e nutricionista) composto por 4 fases: educação, desimpactação, prevenção de reacumulação de fezes e recondicionamento para hábitos intestinais normais.

Os pais e as crianças são orientadas sobre a importância na mudanças de hábitos de vida e alimentares. A associação fibras alimentares, aumento de ingesta de líquidos e laxantes são de fundamental importância, resolvendo uma grande porcentagem dos casos. Nos casos mais avançados é necessário a realização de lavagens intestinais para desimpactação de fezes endurecidas no reto intestinal.

Estudos com acompanhamento a longo prazo tem mostrado tratamento com taxas de sucesso em 63% dos casos, principalmente quando realizado em crianças abaixo de 2 anos de idade, portanto conclui-se que, quanto mais precoce iniciado o tratamento, maior o grau de sucesso no retorno ao hábito intestinal saudável da criança.

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Matéria Por

Ricardo Silva Parreira

Cirurgia Geral

CRM/PR 19281 | RQE 15587 | RQE 1478 | Londrina

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