Cefaleias: como a Medicina da Dor pode te ajudar?

ANESTESIOLOGIA

Cefaleias: como a Medicina da Dor pode te ajudar?

A Medicina da Dor é uma área de atuação da Anestesiologia que atua no alívio da dor e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes que sofrem com a dor crônica; e que, além de todos os tratamentos convencionais habitualmente disponíveis, também pode se utilizar de procedimentos minimamente invasivos, tanto para diagnosticar quanto para tratar a dor crônica.

E entre os diversos tipos de dor crônica em que a Medicina da Dor pode atuar, uma das maiores contribuições desta especialidade médica, em uma estreita relação com a Neurologia, está na possibilidade de se realizar um diagnóstico mais preciso e um tratamento mais eficaz dos mais de 150 tipos de cefaleias atualmente catalogadas, as populares dores de cabeça.

As cefaleias são uma das mais frequentes causas de dor que levam os pacientes a procurar por auxílio médico. Estudos recentes afirmam que até 95% da população mundial já sofreu, ou então irá sofrer, com pelo menos um episódio de cefaleia ao longo da vida, e que aproximadamente 50% da população mundial sofre com crises frequentes. Basicamente, as cefaleias podem ser divididas em primárias e secundárias.

As cefaleias secundárias, também definidas como anatômicas, são aquelas causadas por alguma outra doença neurológica, como por exemplo os tumores cerebrais, as infecções neurológicas, os acidentes vasculares cerebrais, as hemorragias intracranianas, entre tantas outras causas possíveis e, felizmente, são menos comuns. Já as cefaleias primárias, também definidas como funcionais, são aquelas em que não existe nenhum outro transtorno neurológico como causa da dor, são bem mais comuns e, embora sejam consideradas benignas, podem causar limitações para as atividades diárias habituais e, até mesmo, incapacidade laborativa.

Entre as cefaleias primárias, ou funcionais, os dois tipos mais comuns são a enxaqueca e a tipo tensional. A enxaqueca, também conhecida como migrânea, acomete aproximadamente 15% da população brasileira, é muito mais frequente no sexo feminino e é considerada uma das principais causas de falta ao trabalho. Existe um forte componente hereditário envolvido, estudos revelam que uma pessoa cujos pais já sofram com a enxaqueca possui aproximadamente 75% de possibilidade de também vir a apresentar a doença.

A crises de enxaqueca podem ser desencadeadas pelo consumo de alguns alimentos (por exemplo, o chocolate, as verduras verde escuras, o leite e os seus inúmeros derivados, o café, as bebidas energéticas, as bebidas alcoólicas, o vinho e o suco de uva tintos), pelo tabagismo, pelo estresse e pela privação de sono, e são caracterizadas por dor do tipo latejante ou pulsátil, de forte intensidade, habitualmente hemicranianas, ou seja, que acometem apenas uma metade da cabeça, associadas com intolerância à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), náuseas e vômitos.

Clinicamente bem diferente da enxaqueca, a cefaleia do tipo tensional está relacionada com a contratura exagerada dos vários músculos presentes na região craniana e também na região cervical, suas crises são caracterizadas por dor do tipo aperto, de leve a moderada intensidade, habitualmente holocranianas, ou seja, que acometem as duas metades da cabeça simultaneamente, sendo rara a presença de fotofobia, fonofobia, náusea e/ou vômito.

Existem inúmeras possibilidades de tratamento das cefaleias, que se estendem desde os mais simples até os mais complexos. Um arsenal imenso de medicações atualmente disponíveis permite inúmeras possibilidades de combinações entre si, permitindo a criação de protocolos individualizados de analgesia que podem ser utilizados tanto para tratar uma crise já instalada quanto para prevenir o surgimento de uma nova crise.

E em casos mais refratários, que habitualmente não melhoram com os tratamentos iniciais mais conservadores e mais simples, a Medicina Intervencionista da Dor dispõe de alguns importantes recursos complementares, como a realização de bloqueios anestésicos e, até mesmo, a aplicação da toxina botulínica, ambos realizados em alvos específicos e com muita segurança.

Os vários tipos de cefaleia, assim como todas as outras causas de dor crônica, pode ser aliviada significativamente e gerenciada de maneira saudável pelo médico especialista em Medicina da Dor. Portanto, não perca o seu tempo, não atrase o seu diagnóstico e não comprometa o seu tratamento, procure diretamente por um médico que seja especialista no assunto, que realmente saiba muito bem como diagnosticar e tratar a sua dor.

O Dr. Fábio Trevisan, é médico formado pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), com especialização em Anestesiologia, em Medicina da Dor, em Medicina Intervencionista da Dor e em Medicina Intensiva, é portador do Título de Especialista em Anestesiologia (RQE 12560), do Certificado de Atuação na Área da Dor (RQE19669) e do Título de Especialista em Medicina Intensiva (RQE 22925) e, atualmente, é um dos pesquisadores do Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências da Saúde no Hospital Sírio Libanês (São Paulo/ SP) e um dos docentes da Especialização em Controle da Dor e Medicina Paliativa na Centro Universitário Uningá (Maringá/PR).

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Matéria Por

Fábio Trevisan

Anestesiologia

CRM/PR 18564 | RQE 19669 RQE 12560 | Londrina

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