A Vitamina D e a Depressão

A Vitamina D e a Depressão

A depressão apresenta uma incidência ao longo da vida de 20% em mulheres e 12% em homens nos Estados Unidos da América do Norte (EUA), concordando com dados estatísticos de outros países.

Muitos estudos vem chamando atenção de que várias doenças degenerativas cerebrais , problemas de saúde mental, comportamentais e emocionais podem estar correlacionadas com a insuficiência de certos nutrientes no sistema nevoso central, como por exemplo a deficiência das vitaminas C, D, B6, B9, B12 e minerais como o magnésio.

A deficiência de vitamina D é um problema de saúde global que atinge cerca de 1 bilhão de pessoas. Evidências epidemiológicas apontam um aumento de 8% a 14% nas taxas de depressão em pacientes com esta deficiência.

Até recentemente havia muita controvérsia sobre o tema, com estudos demonstrando resultados antagônicos. Porém em abril de 2014, um trabalho encontrou falhas biológicas em estudos que apontavam resultados negativos para a suplementação de vitamina D. Com estes estudos excluídos, houve efeitos terapêuticos da suplementação de vitamina D em pacientes com depressão.

Estudos vem apontando a vitamina D como parte importante para a saúde do cérebro. Apresentando evidências recentes de funções neuroprotetoras da vitamina D, através de vias antioxidantes e proteção contra os efeitos deletérios dos níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias, observadas no cérebro durante quadros depressivos.

A vitamina D é um importante hormônio para a homeostase do cálcio e o metabolismo ósseo. Em adição a essa ação no tecido ósseo, há evidências de que a vitamina D tenha papel na diferenciação celular, inibição do crescimento celular e modulação do sistema imune. A principal fonte de vitamina D é a exposição à radiação ultravioleta B e apenas 10% vem de fontes dietéticas que são: vitamina D3 (presente nos peixes gordurosos de água fria e profunda, como atum e salmão) e a vitamina D2 (presente nos fungos comestíveis).

A vitamina D funciona como um hormônio regulador em nosso cérebro. Estudos mais recentes mostram uma influência direta da mesma sobre a produção e a liberação da serotonina. A deficiência da vitamina D vai intensificar toda doença mental, e sua reposição torna todo tratamento mais viável e consistente.

Um novo estudo mostrou que a reversão da deficiência de vitamina D em mulheres tem um efeito positivo no tratamento da depressão. Os resultados do estudo, que foram apresentados na 4ª reunião anual da Endocrine Society, em Houston, indicou que todas as outras circunstâncias sendo iguais, a correção da deficiência de vitamina D pode ter sido responsável pelos efeitos benéficos medidos. O estudo observou que as mulheres envolvidas não alteraram seus medicamentos antidepressivos ou outros fatores ambientais relacionados à depressão – que aumentar seus níveis de vitamina D foi a única mudança.

Analisando outros artigos publicados, observou-se que a associação entre déficit da vitamina D e dor crônica parece ser frequente e parece ser uma possível ação da vitamina D em transtornos do humor, do tipo ansiedade e depressão, que, comumente, acompanham os quadros dolorosos crônicos.

A reposição de vitamina D sempre deve ser orientada por profissional, pois a intoxicação desse hormônio pode causar aumento de cálcio na circulação, resultando em fraqueza, calcificações de tecidos moles, incluindo-se vasculares, nefrolitíase. Em caso de reposição oral, devem ser realizados exames periódicos para controlar as concentrações da vitamina D.

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Matéria Por

Jaqueline A. V. de Mattos

Psiquiatria

CRM/PR: 23644 RQE: 1028 | Londrina

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