RADIOTERAPIA

Oxigenoterapia Hiperbárica nas sequelas oncológicas

O câncer tem grande prevalência na população brasileira. O tratamento do câncer depende da localização do tumor, estadiamento, comorbidades e condição clínica do paciente. As 3 modalidades de tratamento mais utilizadas no tratamento do câncer são a quimioterapia, a cirurgia e a radioterapia. Cerca de 70% dos pacientes com diagnóstico de câncer realizam radioterapia em algum momento do tratamento. Embora todas as modalidades de tratamento possam causar sequelas, a radiação é o tratamento isolado ou em conjunto com a cirurgia, que pode causar sequelas nos sobreviventes de câncer. Os danos causados pela radiação são chamados de lesões actínicas. A radioterapia evoluiu muito nos últimos anos.

Foram desenvolvidas novas técnicas modernas de tratamento como IGRT, IMRT e estereotaxia que permitem calcular e modular as doses de radiação de acordo com a região afetada, possibilitando maiores doses na região tumoral, e redução de dose nas regiões normais, preservando os tecidos normais. Infelizmente, poucos centros no Brasil dispõem de tal tecnologia. Desta forma, são esperados muitos casos de sequelas dos tratamentos com radioterapia no país. A radiação leva a um dano no DNA das células, atingindo o tumor e também os tecidos próximos, causando um dano patológico conhecido como endarterite, que é uma inflamação crônica da chamada microcirculação, pequenos vasos sanguíneos que nutrem os tecidos.

Esse dano microvascular leva a uma falta de oxigênio nos tecidos, causando fibrose e inflamação crônica. A radioterapia tem efeito local, portanto somente o órgão ou região onde a radiação foi aplicada que pode sofrer os efeitos colaterais. As lesões actínicas mais comuns são as lesões de partes moles como pacientes com câncer de mama ou tumores nos membros que evoluem com feridas crônicas que não cicatrizam, cistite actínica (inflamação crônica da bexiga), retite, proctite e enterite actínica (inflamação no reto, ânus e alças intestinais), boca seca, perda do paladar, dor orofacial, trismo etc nos pacientes com tumores de cabeça e pescoço, dano cognitivo nos pacientes com tumores cerebrais. O tratamento das lesões actínicas constitui um desafio na prática médica.

São lesões crônicas, debilitantes e de difícil tratamento. Normalmente, são empregadas medicações que protegem as mucosas e drogas vaso-dilatadoras, além de procedimentos cirúrgicos quando ocorrem hemorragias. A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma modalidade terapêutica que consiste na oferta de oxigênio puro a 100% em um ambiente pressurizado a um nível acima da pressão atmosférica, habitualmente entre duas e três atmosferas. Cerca de 70% dos pacientes com diagnóstico de câncer realizam radioterapia em algum momento do tratamento. O tratamento das lesões actínicas constitui um desafio na prática médica. São lesões crônicas, debilitantes e de difícil tratamento. O tratamento com OHB tem grande utilidade no tratamento das lesões actínicas por promover a melhora da oxigenação na região dos tecidos previamente irradiados, resultando em uma neovascularização e crescimento capilar no tecido submucoso hipóxico e cicatricial.

A disponibilidade de oxigênio favorece condições teciduais para que as funções de defesa locais voltem a funcionar causando um efeito anti-infeccioso e anti-inflamatório. O tratamento com OHB tem caráter complementar e deve ser usado em conjunto com todas as outras medidas cirúrgicas e medicamentosas. O tratamento é feito por sessões diárias de 2h. Em média são necessárias de 60 a 100 sessões nos tratamentos de sequelas oncológicas. A OHB tem cobertura obrigatória por parte de todos os convênios médicos desde 2010.

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Matéria Por

WILSON ALBIERI VIEIRA

Radiologia

CRM/PR 24181 | RQE 2487 | Londrina

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