Tratamento Cirúrgico para Doença de Parkinson

Tratamento Cirúrgico para Doença de Parkinson

A doença de Parkinson, anteriormente denominada Mal de Parkinson, é uma doença crônica e progressiva do sistema nervoso que afeta pouco mais de 3% da população com idade acima de 65 anos.

O numero de pessoas com doenças degenerativas, como a Doença de Parkinson, vem aumentando com a tendência da elevação da expectativa de vida de nossa população.

Acredita-se que a Doença de Parkinson seja causada pela perda de células cerebrais que produzem Dopamina. A diminuição da produção dessa substância causa alterações no funcionamento dos circuitos cerebrais que controlam e sintonizam os movimentos tornando algumas regiões hiperativas, enquanto outras são excessivamente inibidas.

A lentificação dos movimentos e os tremores nas extremidades das mãos, muitas vezes notados apenas pelos amigos e familiares, costumam ser os primeiros sinais da doença. A diminuição do tamanho das letras ao escrever é outra característica importante.

Outros sintomas podem estar associados ao início da doença: rigidez muscular; hipocinesia (redução da quantidade de movimentos), distúrbios da fala, dificuldade para engolir, depressão, dores, distúrbios do sono, respiratórios e intestinais.

Embora não exista nenhum tratamento que possa impedir a progressão da doença, os sintomas podem ser bem controlados através da utilização de medicamentos e da reabilitação motora. A cirurgia de estimulação cerebral profunda tem sido uma ferramenta importante para o tratamento de pacientes em que a evolução da doença não permite controle adequado apenas com uso de medicação oral.

Atualmente, é possível melhorar de modo efetivo a maior parte dos sintomas da doença através do implante de eletródios de estimulação cerebral e de geradores de corrente elétrica, parecidos com os marca-passos cardíacos.

Deste modo, conseguimos modular o funcionamento de núcleos cerebrais ajustando parâmetros de estimulação de acordo com as necessidades clínicas dos pacientes de forma segura e eficaz.

É possível, atualmente, manter o tratamento com o neuroestimulador por vários anos por conta de baterias de longa duração.

Para que o resultado da cirurgia seja o melhor possível vários passos devem ser seguidos pelos pacientes e pela equipe neurológica especializada. Inicialmente, deve-se estabelecer o diagnóstico da doença em questão de forma criteriosa. Seguem-se avaliações com testes realizados por uma equipe multidisciplinar que permitem avaliar a probabilidade de resposta positiva do paciente ao tratamento cirúrgico.

A peculiaridade da cirurgia funcional no tratamento de movimentos anormais (Mal de Parkinson, distonias e tremores) é que o resultado favorável dos procedimentos está intimamente relacionado à precisão no alvo cerebral do implante. O refinamento da técnica deve ser o maior possível o que é determinado por uma equipe experiente e pela utilização de equipamentos de última geração. A utilização da fusão de imagens associado à análise da atividade neurofisiológica durante a cirurgia permite realizar o mapeamento milimétrico de pequenos núcleos cerebrais, onde devem ser locados os eletródios. Após o procedimento, é muito importante que o paciente mantenha a reabilitação com treino de marcha e atividade física regular. A cirurgia potencializa os resultados da reabilitação, que em conjunto com a medicação, permite melhora intensa da maioria dos sintomas motores resultando em ganhos evidentes na qualidade de vida dos portadores da Doença de Parkinson.

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Matéria Por

Kleber Carlos De Azevedo Junior

Neurocirurgia

CRM/SP 136952 | RQE 49544 | Jundiaí

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