Possibilidades de tratamento em Psiquiatria

Possibilidades de tratamento em Psiquiatria

A Psiquiatria ainda é, sem dúvida, uma especialidade médica cheia de preconceitos, seja por parte da população, seja por parte dos outros médicos.

Muito disso vem em decorrência do mau uso que a especialidade teve num passado não muito distante, onde, por exemplo, durante a ditadura militar brasileira, pessoas contra o regime eram forçadamente internadas em hospitais psiquiátricos, e algumas modalidades de tratamento, como a eletroconvulsoterapia, eram utilizadas com um caráter punitivo.

Felizmente, a realidade mudou e, hoje, ainda que existam muitos medos e mitos, as pessoas têm sido menos resistentes em buscar ajuda. Aliado a esse fato, as possibilidades de tratamento estão cada vez mais modernas, possibilitando uma melhor qualidade de vida para aqueles que convivem com um sofrimento constante.

Muitos têm medo de medicações psiquiátricas, se apoiando num preconceito de que as mesmas causam dependência e deixam a pessoa sedada. Isto não é verdade! Hoje em dia, a grande maioria das medicações tem poucos ou nenhum efeito colateral. Quanto à questão da dependência, há que se diferenciar algo que vejo em minha prática constantemente, e que pode reforçar este conceito tão equivocado:

1. Existem algumas doenças que não têm cura, por exemplo, a Esquizofrenia e o Transtorno Bipolar. Portadores destes transtornos mentais têm que tomar medicação por toda a vida. Com o avanço da psicofarmacologia e uma boa aderência ao tratamento (significando visitas constantes ao Psiquiatra, psicoterapia, dentre outros), estes pacientes podem viver uma vida mais próxima do normal possível.

2. Para doenças como a depressão, a remissão completa dos sintomas, isto é, a cura, é totalmente possível, no entanto, um tratamento para um quadro de humor é algo demorado, ou seja, mesmo a pessoa estando bem, ainda precisa continuar tomando a medicação por um período determinado por seu médico. Este é um ponto muito importante e crucial, pois, geralmente o psiquiatra se depara com pacientes que param de tomar a medicação antes do tempo por estarem se sentindo bem, aumentando muito as chances de recidiva dos sintomas, reforçando a crença de que a doença sempre vai voltar assim que o mesmo parar de tomar os remédios.

Outro ponto muito importante desta reflexão é lembrar que doenças psiquiátricas têm causas multifatoriais, isto é, não existe um único fator que desencadeia uma doença psíquica.

Dificuldades de relacionamento, predisposição genética, presença de doenças clínicas, dentre outras têm o mesmo nível de importância na gênese dos transtornos mentais. Desta afirmação conclui-se, portanto, que as possibilidades de tratamento em Psiquiatria não se restringem a medicações, estando a psicoterapia em lugar de destaque nas possibilidades não-farmacológicas de tratamento. Diversos estudos mostram que, para transtornos mentais leves (depressão, transtornos de ansiedade, etc), a psicoterapia tem a mesma eficácia que as medicações. Estudos atuais de neuroimagem mostram que a psicoterapia sozinha, sem ajuda de medicações, tem a capacidade de modificar o funcionamento cerebral.

Alguns psiquiatras se especializam em tratamentos chamados biológicos, seja pelo uso de medicações, Eletroconvulsoterapia, ou Estimulação Magnética Transcraniana. Outros, em tratamentos psicoterápicos, das mais diversas linhas, como a Psicanálise (Freud) ou a Psicologia Analítica (Jung). Fato é, que muitos avanços ocorreram, e psiquiatras são humanos, que entendem do sofrimento humano e decidiram, por sacerdócio, estenderem a mão para aqueles que necessitam.

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Matéria Por

Guilherme Breschi

Psiquiatria

CRM/SP 121236 | RQE 48527 | Jundiaí

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