Cirurgia Minimamente Invasiva

A palavra de ordem em cirurgia nos tempos modernos é: mínima agressão, menor trauma imunológico, melhor resultado estético e funcional. Essas são algumas das muitas vantagens da cirurgia minimamente invasiva, especialmente quando se refere a sistema digestório ou aparelho digestivo.

Desde seu aparecimento no final da década de 80, a cirurgia laparoscópica vem apresentando uma evolução fantástica, em todos os ramos da cirurgia geral. Hoje, praticamente todos os procedimentos em tórax, abdome e pelve são realizados por esta técnica. A laparoscopia ou videolaparoscopia consiste no acesso à cavidade abdominal por meio de pequenas incisões e a introdução de pinças cirúrgicas e uma micro-câmera que guiará o cirurgião, permitindo realizar os mesmos procedimentos que uma cirurgia convencional ou aberta. Engana-se quem acha que a grande vantagem deste método seja o efeito cosmético ou estético. A mínima invasão se reflete na menor agressão aos tecidos, melhor precisão visual, uma vez que a imagem é projetada em monitores de alta resolução, 20 a 30 vezes aumentada, menor trauma imunológico, menor risco de infecção, menor perda sanguínea e, consequentemente, recuperação mais rápida e retorno às atividades habituais em menor espaço de tempo.

As primeiras cirurgias laparoscópicas descritas no mundo foram realizadas para tratamento de doenças da vesícula biliar. Hoje, praticamente todos os órgãos abdominais são tratados por este método tais como, esôfago, estômago, intestinos, baço, fígado e pâncreas. Outras especialidades também adicionaram o método endoscópico em suas cirurgias, como ginecologia, urologia, cirurgia pediátrica, neurologia, otorrinolaringologia, ortopedia, cirurgia plástica e cardíaca.

Na última década, três áreas da cirurgia evoluiram em virtude da mínima invasão; cirurgia oncológica (câncer), bariátrica (obesidade) e parede abdominal (hérnias da virilha e do abdome). Recentes estudos sobre a cirurgia laparoscópica no câncer do aparelho digestivo demonstraram resultados mais satisfatórios quando comparados à cirurgia aberta convencional, pois além das vantagens já descritas, a agressão imunológica é mínima, proporcionalmente ao tamanho das incisões realizadas no abdome que variam entre 3, 5 e 10mm, o que se resume em recuperação mais precoce permitindo o início de tratamento adjuvante como quimioterapia, em curto espaço de tempo. Da mesma maneira, a cirurgia para tratamento da obesidade mórbida tornou- -se tecnicamente mais segura com o advento de novos grampeadores laparoscópicos e a mínima incisão, praticamente, elimina o risco de hérnia incisional e infecção da parede abdominal. Pacientes bariátricos submetidos à cirurgia laparoscópica apresentam menos dor e, consequentemente, deambulam mais precocemente, o que minimiza o risco de embolia pulmonar.

A última e mais recente evolução em videocirugia é o tratamento das hérnias da parede abdominal. A hérnia da virilha, a segunda cirurgia mais realizada no mundo, sofreu uma mudança radical na sua história com o uso da minilaparoscopia (incisões de 3mm de diâmetro), telas (próteses) que se moldam à região inguinal e o emprego de cola biológica para fixação das mesmas. Pacientes operados por esse método voltam às suas atividades habituais em torno de 7 a 10 dias e a chance de recorrência da hérnia passou de 15% para menos de 1% quando comparado à cirurgia aberta sem tela.

Todos esses avanços ganharam agora a cirurgia robótica como aliada, o que tornou vários procedimentos mais detalhados, factíveis e seguros. O cirurgião comanda os braços do robô através de movimentos com os dedos em uma estação de trabalho paralela à mesa de cirurgia onde a imagem é reproduzida em alta definição e em 3D. O Robô reproduz e corrige os movimentos do cirurgião, realizando articulações da pinça cirúrgica que só seriam reprodutíveis pelos movimentos das mão humanas. A cirurgia robótica já é uma realidade em nosso meio e até mesmo a SOBRACIL , Sociedade Brasileira de Videocirurgia, alterou seu nome para Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica, após associar-se à Sociedade Americana de Cirurgia Robótica (SRS - Society of Robotic Surgery) e realizar seu primeiro Congresso Brasileiro de Cirurgia Robótica em 2015.

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Matéria Por

Marcelo Lopes Furtado

Gastroenterologia

CRM/SP 78735 | Jundiaí

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