Cirurgia Bariátrica e Metabólica Minimamente Invasiva

Nos últimos anos, a comunidade médica tem presenciado uma epidemia mundial de sobrepeso e obesidade que afeta aproximadamente 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo. Nos Estados Unidos, dois terços da população tem sobrepeso e metade é obesa.

Com mais de 300 mil vítimas naquele País a cada ano, a obesidade mórbida é projetada para ultrapassar o tabagismo (fumo) como a principal causa de morte no futuro próximo.

O grau de obesidade é geralmente descrito, usando-se o índice de massa corporal (IMC). É calculado como peso (em kg) dividido pela altura (em metros) ao quadrado.

No Brasil, estima-se que haja 15% de obesos, deste total, entre 1 e 2% da população adulta apresenta obesidade grau III ou mórbida (IMC > 30 Kg/m²), mostrando que ao menos 1,5 milhão de pessoas no Brasil são obesos mórbidos.

A obesidade está associada à morte prematura, bem como um aumento do risco de diabetes mellitus tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença cardíaca e osteoartrite entre outras. Estudos têm demonstrado que a perda de peso está associada com uma diminuição do risco para o desenvolvimento dessas doenças. A importância dessa epidemia fez com que o Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliasse as indicações para a cirurgia bariátrica, acrescentando doenças que geralmente estão associadas ao ganho excessivo de peso. A cirurgia continua indicada para pessoas com Índice de Massa Corpórea (IMC = P / Alt x 2) acima de 40 ou aquelas com IMC a partir de 35 que apresentem doenças associadas, as chamadas comorbidades. Na resolução de 2010, pacientes com IMC entre 35 e 40 e que tivessem uma ou mais comorbidades como diabete tipo 2, apneia do sono, hipertensão, dislipidemia (gordura no sangue), doença coronariana ou osteoartrite, poderiam ser submetidos à cirurgia. Com a nova resolução, entram nesse grupo comorbidades como asma grave, depressão, infertilidade, disfunção erétil entre outras, totalizando 21 novas doenças associadas ao IMC acima de 35. A norma do CFM mantém a regra de que, para ser elegível à cirurgia, o paciente deve ser obeso há pelo menos cinco anos e ter realizado tratamento clínico por 2 (dois) anos no mínimo.

O tratamento da obesidade com dieta, exercícios (terapias comportamentais) e medicamentos apresenta resultados relativamente ineficazes na manutenção do peso perdido. A cirurgia bariátrica (barros = peso) é o tratamento mais eficaz para a obesidade mórbida, produzindo uma perda de peso duradoura, melhoria ou remissão de comorbidades, e proporcionando uma maior e melhor vida útil (qualidade de vida). Mais recentemente, em um contexto mais amplo, tem sido chamada também de Cirurgia Metabólica, pois, hoje, sabe-se que além da perda de peso esses pacientes são beneficiados com a cura ou controle de doenças associadas à obesidade tais como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias, apneia do sono e outras.

Varias são as técnicas cirúrgicas empregadas, podendo ser realizadas pelo método convencional (aberta) ou Laparoscópica. Nos últimos anos, a grande evolução está relacionada ao emprego da Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica. A associação de mínimas incisões de 05 e 03mm, e o uso do Robô que reproduz de maneira mais eficiente os movimentos do cirurgião, se traduz em menor trauma aos tecidos, menor resposta imunológica, mínimo risco de infecção, menor tempo de internação e retorno às atividades habituais e, consequentemente, melhores resultados globais quando comparado à cirurgia aberta.

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Matéria Por

Marcelo Lopes Furtado

Gastroenterologia

CRM/SP 78735 | Jundiaí

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