Orelhas em abano e bullying

OTORRINOLARINGOLOGIA

Orelhas em abano e bullying

Palavra incomum no vocabulário dos brasileiros, mas que causa sérios danos psicológicos para quem sofre suas consequências. O bullying, do inglês “ameaçar, intimidar”, refere-se à violência física ou psicológica sobre indivíduos incapazes de se defender. Recentemente, uma pesquisa mostrou que, nas escolas do Brasil, cerca de 60% dos alunos cometeram ou sofreram alguma forma de bullying nos últimos anos.

Enquanto frequentar a escola para muitas crianças é motivo de alegria, rever professores, amigos e se divertir, para outras significa voltar às constantes humilhações, chacotas e isolamento. As vítimas, geralmente, são tímidas, introspectivas, retraídas e com baixa autoestima. Não se sentem aptas a reagir ou pedir a ajuda de um adulto, sentem vergonha da situação e aceitam caladas diariamente serem alvos de risos alheios. Já o agressor, normalmente uma criança maior, apresenta um perfil psicológico opositor, com dificuldades de entender e aceitar limites e, na maioria das vezes, é vítima ou espectador de agressões físicas e verbais dentro do próprio lar.

Caso não tenha correções em seu comportamento, esta criança tende a ser um adulto envolvido com abuso de álcool, drogas, violência doméstica ou assédio moral no trabalho, pois desenvolve, ao longo de sua juventude, a percepção de que pode tudo, de que para ele não existem limites. Entre as inúmeras vítimas dos bullies, as “orelhas em abano” apresentam predileção para alvo. “Dumbo”, “Topo Gigio”, “Orelhão” e “Fusca” são apenas alguns dos apelidos usados pelos agressores para expor as vítimas ao ridículo.

Embora esta alteração na anatomia do pavilhão auricular não esteja associada a problemas auditivos ou outros tipos de doença, muitas crianças manifestam logo cedo o desejo de corrigir o formato da orelha para se livrar da perseguição alheia. A correção cirúrgica de orelhas em abano é conhecida como otoplastia e caracteriza uma intervenção simples. A idade mínima para realizar a cirurgia é de 6 anos de idade, com risco muito baixo, podendo ser realizada com anestesia local e sedação.

O procedimento dura cerca de duas horas e o paciente pode deixar o hospital no mesmo dia, poucas horas após o término da cirurgia. A cicatriz localiza-se na região posterior da orelha, sendo discreta e, em muitos casos, imperceptível. O afastamento de atividades laborais e escolares, normalmente, fica entre 2 a 5 dias, e o retorno para atividades físicas após 3 semanas.

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Matéria Por

Paulo Felipe Pacher Roman

Otorrinolaringologia

CRM/SC 19052 RQE 10863 | Joinville

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