Medicina Perioperatória. Você sabe o que é?

ANESTESIOLOGIA

Medicina Perioperatória. Você sabe o que é?

A medicina perioperatória engloba o cuidado ao paciente nas seguintes fases: preparo para cirurgia, o ato cirúrgico propriamente dito e a recuperação de todo esse processo. Nessa prática, o anestesiologista, o cirurgião, o intensivista e outros especialistas atuam conectados, em sintonia. O conhecimento que distingue esse campo inclui o domínio em avaliar o risco cirúrgico e suas complicações, identificar os riscos específicos do paciente, conhecer estratégias que reduzam os riscos, e o gerenciamento de patologias durante esse período de tempo. Seus objetivos incluem o cuidado centrado no paciente permitindo tomada de decisão compartilhada, e redução das possíveis variações indesejadas, prevenindo complicações e aumentando a satisfação do paciente.

A otimização da liderança e da comunicação entre a atenção primária, especialistas e paciente permite que não haja a mínima interrupção dos cuidados existentes, ocorra o preparo ideal durante o pré-óperatório, possibilite redução das taxas de cancelamentos e melhor experiência para o paciente.

A avaliação do risco cirúrgico multidisciplinar e decisão clínica compartilhada são estratégias de boas práticas adotadas pelos melhores sistemas de saúde do mundo. Os cardiologistas avaliam o paciente para estimar o risco de mortalidade no pós-operatório. A consulta com o anestesiologista provê dados que ajudam a planejar como o procedimento será realizado, levando em conta condições clínicas e vontade do paciente. Essa estratégia tem sido relacionada à diminuição da mortalidade, mesmo em pacientes com idade avançada e com maior comprometimento clínico. Provavelmente, isso se deve ao melhor planejamento do cuidado, principalmente na admissão planejada em ambiente de terapia intensiva (UTI).

Pacientes oncológicos se beneficiam de abordagens multidisciplinares, com protocolos rigorosos e bem estabelecidos para encaminhamento da atenção primária, investigação acelerada e intervenção, assim como protocolos de cuidado à idosos submetidos a cirurgia foram criados após pesquisa americana apontar deficiências do cuidado a esse grupo de pacientes. Então, Geriatras lideraram as discussões multidisciplinares a fim de prover visão mais apurada sobre aqueles pacientes específicos. Foi verificado uma redução do tempo na internação e das taxas de complicações.

No Brasil, iniciativas perpassam pelos programas de acreditação hospitalar, pelas equipes de hospitalistas e por protocolos rigorosos de condução clínica dos pacientes. Um dos protocolos melhor estabelecido é o ACERTO (Programa de Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória). Algumas recomendações são a abreviação do jejum perioperatório, redução de fluidos intravenosos e otimização da analgesia para mobilização precoce do paciente.

Por fim, o hospitalista desempenha papel importante quando realiza o co-manejo dos pacientes cirúrgicos. O paciente é conduzido não apenas pelo cirurgião, mas também por um médico especializado em pacientes internos, fortalecendo o elo com os protocolos do hospital, melhorando seus desfechos.

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Matéria Por

MAMEDE MOURA DOS SANTOS NETO

Anestesiologia

CRM/PB: 6002 (MEC – AMB – SBA) – RQE 2880 (MEC – AMB – AMIB) – | João Pessoa

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