Cirurgia para Espondilolistese

ESPECIAL CAPA

Cirurgia para Espondilolistese

Dentre algumas condições clínicas dolorosas da coluna lombar atendidas pelo cirurgião de coluna estão os casos de Espondilolistese, que diz respeito ao deslizamento ou escorregamento entre uma vértebra superior e uma vértebra inferior. Segundo a classificação de Wiltse e Rothman, as mais frequentes são as do tipo degenerativa e a do tipo ístmica. Embora não seja uma regra, a do tipo degenerativa ocorre mais frequente em mulheres entre a 4ª e 5ª vértebras lombares e acima dos 60 anos de idade. Na ístmica, por sua vez, os homens são os mais afetados e o local mais acometido se situa entre a 5ª vértebra lombar e o primeiro segmento do osso sacro.

Dentre os sintomas percebidos pelos pacientes estão a dor lombar baixa, dor irradiada para as pernas e a claudicação. O paciente assintomático ou pouco sintomático deve ser tratado de forma conservadora por meio de medicações, fisioterapia, perda de peso, órteses externas, etc. E quanto aos pacientes sintomáticos? Quais devem se submeter a cirurgia e quais devem receber tratamento conservador? Qual a melhor técnica? O European Spine Journal publicou o artigo Surgery for adult spondylolisthesis: a systematic review of the evidence, no qual os autores selecionaram 18 artigos destacando a baixa incidência de estudos clínicos controlados que serviram de base para responder as questões acima, apesar do grande número de cirurgias realizadas para esta patologia.

Em adultos com listese do tipo ístmica, a cirurgia parece ser a melhor opção em relação a melhora funcional e redução de dor do que o tratamento conservador (baixa evidência). Nos casos de listese degenerativa, a cirurgia parece ser a melhor indicação em relação a capacidade funcional e redução da dor do que o tratamento conservador (boa evidência). Na listese degenerativa associada a estenose espinhal, a fusão instrumentada com descompressão parece ter mais sucesso no controle da dor em relação a descompressão (baixa evidência). Por fim, em ambos os casos de ístmica ou degenerativa, redução e fusão instrumentada, não parece ter tido mais sucesso em relação a função e dor quando comparada a técnica de fusão instrumentada sem redução (evidência moderada).

A cada dia novas teorias, técnicas e propostas de tratamento para a espondilolistese vão surgindo, assim como novos estudos com aplicação de técnicas diversas e seus resultados vão sendo publicados. A conversa franca com o cirurgião poderá mostrar ao paciente qual o melhor caminho a seguir, baseado em seu histórico, experiência pessoal do especialista e na medicina baseada em evidências.

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Matéria Por

Mauro César Grüdtner

Neurocirurgia

CRM/SC 9430 - RQE 10481 | Jaraguá do Sul

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