Alongamento Ósseo 48 Revista

CIRURGIA

Alongamento Ósseo 48 Revista

Na década de 50, o médico russo Dr. Gavril AbramovichIlizarov, responsável pelo centro de tratamento ortopédico de Kurgan, ao sudoeste da Rússia, aprimorou o já conhecido método de fixação externa de segmentos ósseos, desenvolvendo um modelo de fixador externo circular. Ao inspirar-se na observação do funcionamento de uma “roda de bicicleta”, Prof. Ilizarov criou um modelo de fixação externa versátil e de ampla aplicação para estabilizar segmentos ósseos: um núcleo central (segmento ósseo estabilizado), fios sob tensão para estabilização e suporte de carga (“raios da roda da bicicleta”), apoiados em um arco maior, dando seu suporte externo (roda da bicicleta).

Ao estudar o comportamento de cicatrização do osso com o seu método de fixação externa circular, o Dr. Ilizarov verificou que o tecido ósseo em cicatrização poderia ser manipulado e alongado. Esse tecido ósseo em cicatrização, que pode ser alongado e manipulado (osso resistente porém amolecido), é chamado de osso regenerado. Através de ajustes lentos e progressivos, a cicatrização do osso é alongada e com o osso passivo de ser moldado, podemos manipular as deformidades ósseas, alongar ossos e corrigir de forma progressiva deformidades de tecidos ao redor do osso também. A esse processo de manipulação e modelagem do osso em cicatrização, chamamos de alongamento ósseo.

Por meio dessa técnica, a correção de deformidades ortopédicas, discrepância de comprimento ósseo e tratamento de infecções ósseas são realizadas, com altos índices de sucesso e resolução. O fixador externo circular, idealizado pelo Prof. Ilizarov até hoje se mantém atual, com algumas versões mais modernas. Existem ainda outros tipos de fixadores externos como os monolaterais, o qual tem uma configuração mais enxuta. Os fixadores circulares e monolaterais (cada um com sua exigência técnica e indicação) são utilizados para executar os mesmos princípios do alongamento ósseo e tratar diversas deformidades ortopédicas, como fraturas, deformidades ósseas pós-trauma, deformidades congênitas e tumorais, discrepância de comprimentos, infecção ósseas (osteomielites) e deformidades combinadas ósseas e de partes moles. Esse método amplia de forma considerável as opções de tratamento das diversas e variadas patologias ortopédicas e traumáticas.

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Matéria Por

Claus Dietrich Seyboth

Cirurgia da Mão

CRM/SC 20983 RQE 12632 RQE 12314 | Joinville

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