Transtornos de Ansiedade

A ansiedade faz parte da condição humana; vem sendo estudada pela Medicina ao longo de séculos. Com o advento da sociedade moderna e suas consequências, o ser humano passou a ser mais exigido, mais pressionado e, em consequência, mais ansioso.

Os sintomas psíquicos comuns de ansiedade configuram-se como sensação de medo e apreensão, ameaça, inquietação mental, estado de hipervigilância. Do ponto de vista físico, observam-se sintomas de palpitação, taquicardia, sudorese, sufocamento. Diferente do medo, que deflagra uma resposta a uma ameaça conhecida, definida e sem conflitos. A ansiedade é um sinal de alerta cuja resposta é dirigida a uma ameaça desconhecida, vaga e conflituosa.

A ansiedade, essa “emoção” comum a todos nós, que vivenciamos diariamente em níveis normais, pode, quando em níveis altos, trazer grande sofrimento ao indivíduo; limitando sua vida desde a infância, levando ao abandono da escola; na vida adulta, instabilidade no casamento; e na velhice, medo e preocupações excessivas. Quando a ansiedade se torna patológica, limitante, passa a ser caracterizada como um transtorno psiquiátrico e, para quem sofre dele, muito desagradável e incômodo. É de conhecimento popular que situações como, desapontamentos no amor, preocupações financeiras ou problemas de saúde podem ocasionar ansiedade; porém, indivíduos propensos reagem de forma mais intensa do que o habitual e adoecem. Essas pessoas se tornam inseguras, medrosas, tensas, e se sentem incapazes de lidar com questões normais da vida.

A ansiedade grave pode causar apresentações clínicas diversas. É muito comum os pacientes com Transtorno de Ansiedade julgarem ter um problema físico, e não um problema psiquiátrico ou psicológico. É habitual esses pacientes fazerem uma verdadeira “peregrinação”, consultando diversos especialistas e fazendo exames muitas vezes desnecessários.

No Transtorno do Pânico, por exemplo, é comum os pacientes com dores no peito e taquicardia consultarem um cardiologista; com diarréia e náuseas, procurarem o gastroenterologista; com dificuldades de engolir, “tonteira”, desequilíbrio, dores de cabeça, falta de ar e sensação de sufocação, procurarem um clínico geral. Porém, como se tratam de sintomas emocionais, deve-se consultar o Médico Psiquiatra.

Dentre os Transtornos de Ansiedade mais comuns, podemos citar o Transtorno de Ansiedade Generalizada, em que a preocupação e atenção com problemas do dia-a-dia ou com o futuro são predominantes. No Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), onde obsessões e compulsões envolvendo rituais de lavagem, verificação, medos de contaminação, idéias absurdas, intrusivas e repetitivas de matar ou cuspir em alguém, predominam. Já no Transtorno do Pânico, o indivíduo vivencia um período de intenso medo, que surge de forma súbita, inesperada, acompanhado de falta de ar, sensação de desmaio, palpitações, tremores, medo de morrer ou enlouquecer. Paralelamente, na Agorafobia, o medo e a ansiedade podem se manifestar quando há exposição a locais fechados, espaços abertos, ao andar de ônibus, em um elevador, em filas de banco, etc. De forma semelhante, na Fobia Social, o medo surge quando o indivíduo é exposto a possível avaliação por outras pessoas; se sente desconfortável quando está sendo observado assinando um cheque, lendo em voz alta na sala de aula, apresentando um trabalho oral; passa então a evitar tais situações.

Os Transtornos de Ansiedade, como dito anteriormente, podem ocorrer em qualquer idade. Contudo, há peculiaridades a serem observadas nos idosos; estes apresentam comumente ansiedade em relação à saúde e às finanças. Não é incomum o idoso apresentar fobia de doenças, e evoluir para um quadro de hipocondria (o paciente revela uma percepção ameaçadora de doenças sabidamente sem risco para ele); há também medo de violência, como por exemplo, serem assaltados; esse grupo acaba procurando a reclusão em casa.

A boa notícia é que os Transtornos de Ansiedade respondem bem aos tratamentos farmacológicos atuais e os pacientes voltam a ter uma vida normal, retornando ao trabalho, aos seus estudos, melhorando a ansiedade antecipatória, a esquiva fóbica, os sintomas de pânico.

Para isso, é necessário estar atento aos sintomas e, diante da suspeita de que um familiar possa estar apresentando um quadro ansioso, encaminhá-lo a consultar o profissional mais indicado para tratar estas patologias: o Médico Psiquiatra.

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Matéria Por

Marta Braun

Psiquiatria

CRM/PR 19769 | RQE: 18763 | RQE: 12507 | Francisco Beltrão

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