Tratamento odontológico para pessoas com deficiência

Tratamento odontológico para pessoas com deficiência

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 10% da população mundial apresenta algum tipo de deficiência, prevalecendo a maioria desses indivíduos em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, e apenas 2% recebem uma atenção integral adequada para as suas necessidades básicas de vida. No Brasil, 24,5 milhões de pessoas possuem algum tipo de incapacidade, sendo que este número corresponde a 14,5% da população (IBGE 2000).

A Odontologia para Pessoas com Deficiência tem como objetivo o diagnóstico, prevenção, tratamento e controle dos problemas de saúde bucal em indivíduos que apresentam algum tipo de comprometimento intelectual, físico, motor ou sensorial. Os problemas bucais mais comuns nesses indivíduos são a cárie e a doença periodontal, pois, em função das dificuldades motoras e/ou intelectual existentes, não conseguem realizar uma boa higiene bucal e dependem da ação direta de um responsável ou cuidador. Além disso, os vários problemas de ordem geral e sistêmica que envolvem o uso de medicamentos podem contribuir para o agravamento do caso, por exemplo, o uso de medicações anticonvulsivantes ou de controle da ansiedade que podem causar redução do fluxo salivar, inflamações gengivais e agravamento da doença periodontal levando à perda precoce dos dentes. Outros problemas de ordem bucal muito comuns nessa população são alterações de oclusão e da relação maxilomandibular, halitose, problemas de mastigação e deglutição que podem comprometer a qualidade de vida desses indivíduos.

O cirurgião-dentista, que se propõe a atender pessoas com deficiência, precisa ter conhecimento das características e particularidades do problema em questão, além de domínio técnico/ científico para realização de um tratamento efetivo e seguro. A participação dos responsáveis e/ou cuidadores em todo esse processo é de fundamental importância para o sucesso do atendimento, bem como para a manutenção dos resultados obtidos.

A atenção em relação à saúde bucal desses indivíduos deve começar o mais precocemente possível e envolve escovação diária dos dentes pelo menos três vezes ao dia, principalmente após as refeições e antes de dormir, podendo fazer uso de recursos especiais, como escova com adaptações no cabo, escovas elétricas, fio dental especial, manter uma alimentação saudável e nutritiva, evitar o consumo de alimentos doces entre as refeições, além de visitas periódicas frequentes ao dentista para controle de biofilme dentobacteriano e orientações específicas para cada deficiência em questão.

A manutenção de uma boa saúde bucal para esses indivíduos é fundamental para garantir a qualidade de vida e vários são os recursos disponíveis que possibilitam esse cuidado de maneira resolutiva e segura para o paciente. Um profissional especializado irá ajudar na condução de um tratamento adequado. A saúde bucal é condição importante para a saúde geral e todos, indistintamente, merecem esse cuidado.

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Matéria Por

Vivian de Agostino Biella Passos

Odontopediatria

CRO/SP 67048 | Bauru

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