FITOTERÁPICOS Muito além do chá da vovó

FITOTERÁPICOS Muito além do chá da vovó

Chá de camomila para acalmar os nervos, chá de boldo para melhorar a digestão, esses são alguns exemplos que, com certeza, fazem parte da sua memória, quando se trata do uso de plantas medicinais.

As plantas medicinais são milenarmente utilizadas para aliviar ou curar enfermidades e integram parte do conhecimento popular, pois suas propriedades, assim como a colheita e os modos de preparo, foram transmitidos de geração para geração ao longo dos anos.

Quando a planta medicinal é industrializada para se obter um medicamento, tem-se como resultado o fitoterápico. Segundo definição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, são aqueles obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais, como caules, folhas e flores, raízes e sementes de plantas com efeito farmacológico comprovado. Não se considera medicamento fitoterápico aquele que inclui na sua composição substâncias ativas isoladas, sintéticas ou naturais, nem as associações dessas com extratos vegetais.

A principal diferença entre as plantas medicinais e os fitoterápicos é que as plantas medicinais geralmente são utilizadas na forma de infusões ou chás, porém não são consideradas medicamentos, pois não possuem dosagem padrão estabelecida e eficácia e segurança comprovadas por estudos clínicos. Os fitoterápicos, por sua vez passam por um processo que consiste em refinar as plantas com propriedades medicinais e eliminar agrotóxicos ou substâncias que poderiam causar mal à saúde das pessoas. Essa técnica de fabricação do medicamento potencializa os efeitos benéficos da planta, onde seu princípio ativo pode ser isolado e aproveitado de maneira mais específica para o tratamento ou profilaxia de doenças. Além disso, para serem aprovados, são necessários diversos testes laboratoriais padronizados, além de ensaios clínicos em seres humanos que comprovem segurança e eficácia. Seu registro pode ser feito com base em informações históricas, sendo necessário ter, pelo menos, 30 anos de eficácia e segurança comprovadas na literatura para ser vendido em farmácias e com fins terapêuticos.

E, além das indústrias que possuem registros desses medicamentos junto a Anvisa, as farmácias de manipulação também podem produzir fitoterápicos? Sim! As farmácias de manipulação têm permissão para manipular medicamentos e, entre eles, os fitoterápicos. Um fitoterápico pode ser manipulado se for prescrito em uma receita ou se sua fórmula constar na Farmacopéia Brasileira, no Formulário Nacional ou em obras equivalentes.

Como todos os medicamentos, os fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos devem ser utilizados somente com a orientação de profissional da saúde, como médicos e nutricionistas ou farmacêuticos habilitados. Há riscos de efeitos colaterais e de possíveis interações medicamentosas ou alimentares que podem comprometer o sucesso do tratamento ou até mesmo a saúde do paciente. A combinação entre sabedoria milenar, avanços científicos e recomendação médica ainda pode ser o melhor remédio.

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Matéria Por

Tatiana B. V. Terçariol

Farmacêuticos (as)

CRF/SP 56417-8 | Araçatuba

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