Medicina Nuclear e o Tratamento do Hipertireoidismo

Medicina Nuclear e o Tratamento do Hipertireoidismo

O hipertireoidismo é a condição onde existe um funcionamento excessivo da glândula tireoide, levando a uma produção aumentada de dois hormônios, chamados triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). Esses hormônios controlam nosso metabolismo, são responsáveis pela manutenção do gasto calórico, temperatura corporal, ganho de peso, etc. A glândula hipófise controla o funcionamento da tireoide através de um hormônio chamado TSH. A manutenção do metabolismo num nível ideal é resultado do funcionamento harmonioso de ambas as glândulas (tireoide e hipófise).
Sintomas do hipertireoidismo:

Independentemente da causa, os sintomas do hipertireoidismo são sempre causados pelo excesso do hormônio T4. Pode-se observar nos pacientes afetados:

•   Ansiedade e irritabilidade;
•   Insônia;
•   Perda de peso sem perda do apetite;
•   Taquicardia;
•   Arritmias cardíacas;
•   Tremores nas mãos;
•   Retração das pálpebras;
•   Suores e calor excessivo;
•   Perda de força muscular;
•   Diarreia ou aumento do número de evacuações;
•   Diminuição ou cessação da menstruação;
•   Bócio.

Doença de Graves

A causa mais comum de hipertireoidismo é a doença de Graves. Essa doença é um processo autoimune, na qual o organismo produz anticorpos capazes de estimular a produção excessiva dos hormônios tireoideos. A doença de Graves é oito vezes mais comum em mulheres e costuma ocorrer entre os 20 e 40 anos de idade. O hipertireoidismo pelo Graves também pode desencadear a chamada oftalmopatia de Graves. Os anticorpos atacam os músculos e o tecido gorduroso da região ao redor dos olhos. Essa agressão provoca edema da musculatura extraocular, levando a uma protusão dos olhos.


Outras causas de hipertireoidismo

Doença de Plummer ou bócio multinodular tóxico: ocorre pela formação de adenomas produtores T4 e T3, de modo independente da tireoide ou dos níveis de TSH circulantes.

Adenoma tóxico: igual à situação acima, exceto pelo fato de haver apenas um adenoma solitário produtor de hormônios em excesso.

Tireoidite: ocorre pela inflamação da tireoide. Pode ser devido a infecções virais, causas autoimunes outras que não doença de Graves, pós-parto, etc.

Excesso de hormônio tireoidiano: doentes com hipotireoidismo que fazem reposição excessiva de hormônios podem apresentar um quadro de hipertireoidismo.

Adenomas da hipófise secretores de TSH: menos de 1% dos casos de hipertireoidismo ocorrem por secreção inapropriada de TSH.

Tratamento do hipertireoidismo

Existem três modalidades de tratamento para o hipertireoidismo: drogas, radiação ou cirurgia. A escolha da mais adequada deve levar em conta dados individuais dos pacientes como idade, gravidade do quadro e causa do hipertireoidismo.
As drogas usadas no tratamento do hipertireoidismo agem impedindo a produção de hormônios pela tireoide. Cerca de 30% dos doentes conseguem, após dois anos, suspender definitivamente o medicamento, sem apresentarem retorno do hipertireoidismo. Porém, a maioria permanece dependente dessas drogas. Como os efeitos colaterais são comuns e, às vezes, graves, outras modalidades terapêuticas são necessárias.
O tratamento do hipertireoidismo com iodo radioativo vem sendo cada vez mais utilizado, por ser uma terapia definitiva e segura. A quantidade de radiação empregada é pequena e praticamente restrita à tireoide. Em geral, o paciente é encaminhado pelo endocrinologista para o serviço de Medicina Nuclear, onde é realizada uma cintilografia para cálculo da quantidade de iodo radioativo. O preparo prévio para o tratamento compreende uma dieta alimentar e orientações visando reduzir o consumo de iodo não-radioativo pelo paciente. No dia do procedimento, o paciente é atendido pelo médico nuclear, que explicará os efeitos colaterais e os cuidados relativos à radiação. O iodo radioativo é, então, administrado por via oral. A tireoide é destruída pela radiação ao longo de 6 a 18 semanas. As contraindicações para o tratamento com iodo radioativo incluem, entre outras, gravidez, amamentação e presença de nódulo suspeito de malignidade (câncer de tireoide).
A cirurgia para retirada da tireoide é a terceira opção de tratamento, devido aos riscos de complicações operatórias. Sua grande indicação está nos casos em que a tireoide encontra-se muito volumosa, obstruindo as vias aéreas, e em situações que os medicamentos e o iodo radioativo são contraindicados. As suas vantagens são proporcionar uma rápida cura e a remoção do bócio. Suas principais desvantagens estão associadas aos danos nas glândulas paratireoides e a paralisia das cordas vocais.

Assim, o sucesso do tratamento é alcançado considerando fatores como a gravidade do hipertireoidismo, a presença de outras doenças, gestação, idade, etc. Recomenda-se, na presença de sintomas de hipertireoidismo, que os pacientes procurem o médico rapidamente, já que as manifestações clínicas são muito desagradáveis e, quando a doença é grave, pode envolver risco de morte.









Matéria Por

Cristiano Ferrari Siqueira

Medicina Nuclear

CRM: 25.281 | Foz do Iguaçu

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