Ultrassonografia 3D Clínica Os novos conceitos do Ultrassom 3D

RADIOLOGIA

Ultrassonografia 3D Clínica Os novos conceitos do Ultrassom 3D

A ultrassonografia 3D começou a surgir ainda na década de 90, porém, rudimentar, servia apenas com base do que seria possível fazer em avaliações tridimensionais. Com o passar do tempo, o exame, assim como o método em geral, começou a ter um importante avanço tecnológico, que permitiu a visualização fetal com face (baby face), pés e mãos, entre outros. Agora, na última geração de exames 3D, a avaliação passou a ter, do ponto de vista de face, o que chamamos de estúdio 3D, onde trabalhamos texturização de pele, tipos de iluminação, transparência e formas de reconstrução.

Porém, o maior advento da última geração de exames 3D envolve a avaliação clínica com simulação de outros exames. Temos opções de reconstruir o cérebro fetal com espessura de 2 mm ou menos, onde recriamos estruturas (cérebro ou coração), como se fossem ressonâncias e/ou tomografias, porém não passam de exames ultrassonográficos. Para cérebro fetal temos como padrão ouro (o melhor exame) a ressonância magnética. Um dos grandes problemas para realizar este exame é que o feto não pode se mexer muito na aquisição das imagens.

Já na ultrassonografia trabalhamos com o feto como ele está, mexendo ou não. A ultrassonografia 3D clínica apresenta um novo conceito na avaliação da morfologia fetal, transformando avaliações fetais de alta complexidade e custo em estudos mais acessíveis e disponíveis. Alguma das aplicações clínicas da ultrassonografia 3D são as reconstruções da coluna simulando avaliação radiológica convencional, onde identificamos desde o eixo da coluna à sinais de disrafia/mielocele (coluna aberta).

Na classe mais moderna dos exames ultrassonográficos, hoje em dia, é possível avaliar estruturas que até pouco tempo atrás só eram avaliadas por ressonância magnética, como o exemplo do corpo caloso, estrutura que apresenta uma disposição ântero- posterior no crânio, sendo que não era visualizado com a ultrassonografia convencional, porém, hoje em dia, com a possibilidade de reconstruções multiplanares (axial, sagital e coronal) a estrutura transformou-se em órgão de avaliação rotineira na avaliação do exame morfológico 3D.

Avaliações cardíacas com cortes milimétricos do coração para avaliação de malformações vasculares e/ ou defeitos da parede interventricular vem ganhando espaço em comparação a avaliação por outros métodos. Na mesma linha, avaliações de fluxo e de mobilidade da parede cardíaca tem sido preconizadas, sendo que o método proporciona grande quantidade de informações de fácil e rápida obtenção.

Reconstruções tridimensionais envolvendo artérias cerebrais (polígono de Willis) vem ganhando espaço em relação a estudos contrastados de alta complexidade; a ultrassonografia, por trabalhar em tempo real, não apresenta perda da qualidade técnica à mobilidade fetal, sendo possível a aquisição de imagens independente da atividade e posicionamento do feto. Avaliações precoces embrionárias com foco na parede abdominal e eixo dorsal tem sido empregadas em amplo espectro.

A ultrassonografia 3D também apresenta grande utilidade na avaliação clínica do adulto, podendo simular estudos padrão ouro, como urotomografia em casos de obstrução ureteral. Em estudos ginecológicos a ultrassonografia tridimensional vem sendo amplamente empregada: para avaliação de DIU, localização de miomas uterinos e avaliação com contagem de folículos ovarianos, entre outras aplicações. A visualização e estudo das estruturas ginecológicas apresentaram importante incremento quando comparados a ultrassonografia convencional.

Reconstruções uterinas em diversos eixos assim como contagem de folículos com visualização gráfica são ferramentas que vêm sendo utilizadas com a ultrassonografia 3D clínica e, se mostrando extremamente eficazes aos objetivos propostos. As tecnologias aqui citadas se referem a última geração de aparelhos na ultrassonografia 3D sendo que tais tecnologias não estão presentes em aparelhos de ultrassonografia obsoletos. O fato de a ultrassonografia não utilizar radiação ionizante ou meios de contraste, além de que o exame é realizado em tempo real, na maioria das vezes, de forma rápida, diminui a morbidade associada a outros estudos de imagem atualmente preconizados.

Consideramos o assunto de extrema importância pois, além de melhorar a gama de opções diagnósticas, diminui o custo e as comorbidades associadas às avaliações diagnósticas. A ultrassonografia 3D clínica vem ampliando seu poder diagnóstico diariamente e, com isto, reduzindo os custos das avaliações diagnósticas. Cabe ressaltar, como já referi em artigos anteriores, que a ultrassonografia depende de dois fatores principais: equipamento e operador (médico).

Conforme citado, apesar de disponível, os recursos descritos são encontrados em aparelhos e equipamentos de última geração. Para completa utilização dos recursos do equipamento o operador deve apresentar conhecimento em formação de imagem, com as respectivas limitações e ganhos de cada método. Sem sombra de dúvidas, a avaliação diagnóstica tem sido um dos principais motivos de pesquisa e investimentos, com o intuito de melhorar e facilitar os diagnósticos precoces, assim como monitorar tratamentos de forma precisa, objetiva e com a mínima morbidade associada. Comparando com os primórdios da ultrassonografia já demos importantes passos, melhorando o poder diagnóstico, porém, continuamos a desenvolver programas e tecnologias que venham a incrementar, facilitar e dar maior acurácia aos diagnósticos. “Para continuarem sendo os mesmos devemos estar sempre mudando!” Continuamos estudando...

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Matéria Por

Felipe Roisenberg

Diagnóstico por Imagem

CRM/SC 12721 | RQE 6912 | Chapecó

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