OTORRINOLARINGOLOGIA

A construção da linguagem na infância

A linguagem é definida como sistema simbólico usado para representar os significados de uma cultura, sendo a fala o ato motor que viabiliza a expressão desta linguagem. Assim, podemos compreender e expressar ideias e sentimentos, interagir e modificar o meio, sendo a linguagem fundamental na caracterização do indivíduo. É crescente o número de crianças com atraso da fala e da linguagem, muitas vezes sendo este problema apenas valorizado durante a alfabetização, quando aumenta a demanda cognitiva e social.

Porém, precisamos voltar nossa atenção para os primeiros anos de vida. Os pais são responsáveis por 86 a 98% do vocabulário de seus filhos. Portanto, é muito importante que os pais conversem com seus filhos, contem histórias, realizem leitura para diversificar o vocabulário. Esses hábitos e estratégias facilitam a aquisição de melhores habilidades linguísticas, através de complexas ativações de áreas corticais superiores. Quanto mais rica e encorajadora for a conversa com o bebê, melhor será a aprendizagem da linguagem oral e escrita, e suas futuras possibilidades acadêmicas e profissionais.

Um clássico estudo americano avaliou bebês com até três anos de idade, em 42 famílias norte-americanas. Observou-se que, em quatro anos, uma criança, filha de pais com curso superior (faculdade), esteve exposta a quase 45 milhões de palavras; em contrapartida, uma criança de uma família de baixa classe socioeconômica foi exposta a apenas 13 milhões de palavras. O que demonstra uma diferença notável de mais de 30 milhões de palavras.

Estas crianças foram reavaliadas aos 9 anos de idade e observou- -se que quanto maior o número de palavras ouvidas por hora até os três anos, mais inteligentes e melhor o desempenho escolar. Crianças com privação auditiva, exposição excessiva a mídias eletrônicas (tablet, televisão, smarthphones) e a ruídos neste período crítico estão mais vulneráveis ao atraso da linguagem e da fala. A recomendação da Academia Americana de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Pediatria é de não expor a criança até os dois anos de idade às mídias eletrônicas pois há menor interação entre as pessoas, sendo inúteis no aprendizado da língua.

Além do estímulo adequado, é importante avaliar sequencialmente a audição da criança. Atenção aos sintomas que não são tipicamente atribuídos à perda auditiva, mas devem ser muito valorizados e investigados, como irritabilidade em ambientes ruidosos, desatenção, comportamento agressivo, não localização de fontes sonoras, dificuldade no aprendizado, desequilíbrio e quedas frequentes. É fundamental que prestemos atenção na construção da linguagem e fala, através de marcos durante a infância, pois o futuro do indivíduo se define, principalmente, nos primeiros anos de vida.

Ver perfil

Matéria Por

Sarah Cristina Beirith

Otorrinolaringologia

CRM/SC 18734 | RQE 15154 | Chapecó

Deixar Comentário

Outras MATÉRIAS