Psicologia clínica e seu trabalho com a infância

PSICOLOGIA

Psicologia clínica e seu trabalho com a infância

O trabalho de psicologia clínica com crianças se diferencia dos adultos, pois a infância é justamente o período no qual o psiquismo está em processo de constituição. Diante disso, o manejo clínico necessita de um olhar diferenciado, uma vez que aspectos estruturais (estrutura orgânica e psíquica) e aspectos instrumentais (linguagem, aprendizagem, psicomotricidade, o brincar e os hábitos de vida diária) estão estritamente ligados, ou seja, todo trabalho com crianças, principalmente na primeira infância, deve ter um olhar transdisciplinar, onde diversos saberes precisam dialogar sem esquecer o sujeito, que deve se situar como eixo de intervenção, para que a criança não seja vista como uma simples parte recortada na qual deve ser tratada, mas como um sujeito integro em construção.

Além disso, se faz necessário também, no trabalho de psicologia infantil, compreender a realidade da criança e de seus respectivos cuidadores, pois cada sujeito e cada família possuem suas singularidades, isto é, analisar a angústia familiar e da criança se tornam fundantes. Nesse sentido, é possível entender que o trabalho com a infância não ocorre isoladamente, pois muitos aspectos interferem nos sintomas ou indicadores de riscos que uma criança pode estar apresentando, ou seja, os sintomas da criança precisam ser analisados com extremo cuidado, pois apenas extingui-lo pode lançar o sujeito a uma angústia ainda maior.

Assim sendo, para que o trabalho de psicoterapia com crianças ocorra, o psicólogo infantil utiliza-se do brincar, uma vez que esse é um dos principais recursos psíquicos utilizado pelas crianças, no qual proporciona o modo delas se colocarem e compreenderem o mundo ao seu redor, além de realizar vivências estruturantes por meio dessa atividade. Por isso, um trabalho de análise infantil se dá por meio do brincar, pois é por essa via que uma criança poderá produzir possibilidades subjetivas, onde ela pode criar, imaginar, se concentrar e experimentar o mundo.

Diante disso, a brincadeira na psicologia clínica com crianças possui um lugar de destaque e de muita seriedade, ao entender o quão imprescindível é esse ato para que se possa trilhar nos caminhos da estruturação psíquica. Deste modo, o trabalho clínico de psicologia com crianças requer muita aposta e dedicação, cuidando sempre para não cair em uma lógica biunívoca de causa - efeito, mas sempre realizando um processo de escuta para compreender e intervir justamente no lugar que esta criança ocupa no contexto familiar, sempre tendo em vista a individualidade de cada sujeito.

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Matéria Por

JULIANE OZELAME RIBAS MOHANA

Psicólogo

CRP 08/15864 | Campo Mourão

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