FUE: A NOVA FASE DO TRANSPLANTE CAPILAR SEM CICATRIZ LINEAR

ESPECIAL CAPA

FUE: A NOVA FASE DO TRANSPLANTE CAPILAR SEM CICATRIZ LINEAR

As inovações sobre o tratamento da calvície em uma abordagem completa.

Para falarmos sobre queda de cabelo, precisamos primeiro esclarecer alguns pontos essenciais:Existem diversas causas de calvície relatadas. Entre elas podemos citar: doenças autoimunes, pós-operatório, grandes traumas, grandes queimaduras, medicamentos, entre outros. Porém, de todas, a mais importante causa se dá pela combinação da genética e da sensibilidade hormonal à testosterona: a famosa calvície androgenética.

É nela que iremos focar nesse momento. Calvicie androgenética: O nosso DNA pode determinar em homens e mulheres o aumento da sensibilidade a um metabólito da testosterona chamado de dihidrotestosterona (DHT). Esse subproduto traz aos pacientes sintomas gerais como sudorese, aumento na oleosidade de pele e cabelos, espinhas e cravos. O efeito mais indesejável, porém, é exatamente a queda dos cabelos.

E queda de cabelos onde? No corpo todo? Não. Apenas na região superior da cabeça, chamada de área susceptível. Apenas nesse local os fios sofrem com a DHT, tendo comportamento oposto do restante do corpo: quanto mais hormônio, mais o paciente tem barba, pelos pubianos, pelos axilares, cabelos na nuca e próximo da orelha. O inverso ocorre na parte superior da cabeça: ali, os fios sofrem atrofia e diminuem progressivamente. A queda dos fios, porém, não ocorrem do dia pra noite, como num pós operatório, ou numa doença autoimune o cabelo vai perdendo cor, força, e tamanho de forma progressiva. Chamamos esse fenômeno de MINIATURIZAÇÃO.

MMP:Juntamente com a injeção da finasterida, realizamos o microagulhamento do couro cabeludo como se fosse uma tatuagem de remédio na cabeça do paciente esse procedimento é chamado de MMP (microinfusão de medicamento da pele), visando ativar os fatores de crescimento contidos no sangue do paciente e potencializar o efeito do medicamento.

Outras drogas são também utilizadas? Sim. Biotina, minoxidil, zinco, cobre, fatores de crescimento, entre outros, são adicionados ao tratamento, mas sempre como ajudantes, sem deixar de lado a finasterida.

E o resultado? É muito robusto e perceptível ao paciente. Além de perceber que os cabelos engrossam, os pacientes sentem melhora na oleosidade e transpiração local.

Quanto tempo de tratamento? Como é uma doença crônica, tendemos a fazer para sempre, tentando espaçar as sessões após 6 meses de tratamento, visando manter o paciente com o efeito desejado.

Dói? Não. É um procedimento sob anestesia local, podendo o paciente voltar as atividades normais em seguida.

E para os pacientes que já não comportam mais o tratamento clínico, existe o transplante capilar. Na mulher, o mesmo fenômeno ocorre, mas em menor grau e de forma mais lenta, dado os níveis inferiores de hormônio masculino circulante. Mesmo assim, a queixa principal delas é que seus cabelos antigamente chegavam quase no bumbum e hoje não passam do ombro; que o rabo de cavalo era grosso e hoje está ficando cada vez mais fino. Esse é o efeito progressivo de enfraquecimento que a DHT gera nos folículos. Existe tratamento? Sim. E depende do quão miniaturizado o folículo está, para escolhermos qual o melhor para o paciente. O foco principal é evitar, com bloqueio dessa DHT, que ocorra esse fenômeno de miniaturização, haja vista que, a partir de um certo ponto de enfraquecimento dos fios, nenhum medicamento mais consegue reverter o quadro. Para os indivíduos que não tem mais folículos viáveis, ou seja, eles já enfraqueceram a ponto de ser um “caminho sem volta”, a alternativa é o transplante capilar.

Vamos falar de cada uma dessas coisas.

Tratamento clínico

Como dissemos, a DHT (dihidrotestosterona) é o cerne da queda de cabelo. E não significa que nos pacientes que perdem cabelo encontraremos valores aumentados desse subproduto da testosterona. Na maior parte dos casos, os valores são normais. Mas como isso pode gerar queda, já que os níveis se encontram normais? Pela sensibilidade aumentada do indivíduo a esse hormônio. Assim, não tratamos exames, e sim, a sintomatologia do paciente. Para evitar a conversão da testosterona em DHT, usamos uma medicação chamada finasterida. Eu sempre digo para os meus pacientes que não há, em hipótese alguma, tratamento de queda de cabelo sem pensar nesse caminho. Apesar disso, encontramos muita resistência no uso dessa medicação, tendo em vista que é de uso diário (a cronicidade dificulta os pacientes de seguirem o tratamento) e apresenta efeitos colaterais desagradáveis, que apesar de serem em numero pequeno, assusta em muito os pacientes. Mas há outra forma de tratar? Sim. Hoje utilizamos a finasteride numa dose pequena e mensal, injetada direto no couro cabeludo. Essa estratégia permite que usemos a dose necessária apenas para o couro cabeludo, que, por ser tão pequena, não tem condições de circular pelo organismo gerando os tão temidos efeitos adversos. Pra ser mais claro, o homem nota que na parte superior da cabeça, o cabelo que era grosso, vai se tornando dia após dia mais fino, crescendo menos, mais oleoso. Quando os cabelos crescem, ele sente o “efeito bozo”, percebendo que os cabelos da lateral da cabeça crescem muito mais que na parte superior.

Tratamento cirúrgico

Teoricamente, a lógica do transplante capilar é transferir unidades foliculares de uma região para outra. Como transferimos de regiões que não sofrem influencia hormonal, esses cabelos transplantados nunca mais caem. São para sempre.

São duas técnicas disponíveis: FUE e FUT

As siglas remetem a maneira como o cabelo é retirado, ou seja, como ficará o resultado da área doadora. No FUE, as unidades são retiradas com uma broca, uma serra copo, denominada “punch”. As unidades são coletadas individualmente, uma a uma, e depois transferidas para a região calva. No FUT, retiramos uma faixa de couro cabeludo, que será colocada no microscópio e preparada para separarmos as unidades foliculares.

Diferenças básicas:

O FUE é uma cirurgia para quem usa o cabelo curto, maquina 1 ou 2. Por serem microcicatrizes, o resultado da área doadora fica mais agradável e menos perceptível. Para realizar essa técnica, o paciente precisa ter uma área doadora densa e cabelos lisos ou levemente encaracolados. Por quê? Como realizamos um “raleamento” da área doadora, pacientes com áreas já ralas não podem ser submetidos a essa técnica. A questão da curvatura dos fios dificultar essa técnica, se dá justamente por que, as raizes mantém o padrão encurvado dos cabelos, gerando transecções na hora da extração com essas brocas.

Já o FUT é uma ótima alternativa para os pacientes que não querem ou não podem raspar os cabelos, tendo em vista que não é necessário cortar os fios para a cirurgia. Além disso, para os pacientes com áreas doadoras ralas, essa técnica mantem o padrão da área doadora, pois acima e abaixo da faixa de pele retirada, a concentração de fios continua igual.

Independente da técnica adotada a realização do transplante das unidades foliculares na região calva não muda. Como fazemos o transplante de unidade folicular em unidade folicular (também conhecido por aí como transplante fio a fio) ambas as técnicas conseguem dar um aspecto natural e agradável ao resultado. Isso afasta o medo dos pacientes em apresentarem um estigma antigo chamado de aspecto de cabelo de boneca. Por conta da grande quantidade de fios, o transplante capilar é uma cirurgia longa e minuciosa. Não é a gravidade ou a dificuldade que faz a cirurgia demorar entre 08 a 10 horas e sim a necessidade de detalhamento que um procedimento tão pequeno exige. Desta forma esta cirurgia é feita com anestesia local e leve sedação e tem por característica permitir que o paciente retorne a suas atividades normais já no dia seguinte do procedimento devendo evitar esforços físicos e contato com mergulho pelo período de 10 dias. A recuperação envolve um período de 30 dias, durante o qual os cabelos transplantados caem e após isso voltam a nascer para nunca mais caírem. A depender da área calva do paciente duas ou três cirurgias como essa são necessárias tendo em vista que o couro cabeludo não comporta uma retirada de cabelos maciça em um único momento. Mas não se assuste, todo o cirurgião de calvice aborda esse assunto com o paciente e traça uma programação definitiva caso a caso. Quer saber mais, procure seu profissional e tire suas dúvidas.

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Matéria Por

Dangelo Viel

Cirurgia Plástica

CRM/PR: 25596 e RQE: 20401 | Campo Mourão

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