Cirurgia Bariátrica e Metabólica no tratamento do Diabetes Tipo 2

Cirurgia Bariátrica e Metabólica no tratamento do Diabetes Tipo 2

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (Ministério da Saúde e IBGE), o diabetes atinge 9 milhões de brasileiros, correspondendo a 6,2% da população adulta. As mulheres apresentaram maior proporção da doença do que os homens e a maior prevalência da doença é evidenciada acima dos 60 anos (19,9%).

O diabetes é uma doença crônica metabólica caracterizada pelo aumento da glicose no sangue. Através da alimentação, consumimos os carboidratos que são a nossa maior fonte de energia, pois eles são transformados em glicose e armazenados no fígado na forma química denominada de glicogênio. Sob o efeito de um hormônio chamado Glucagom, que é produzido nas células Alfa do pâncreas, esse glicogênio transforma- se em glicose que é liberado para a corrente sanguínea. Já o hormônio, denominado de insulina, que é produzido nas células Beta do pâncreas, encarrega-se de empurrar a glicose para dentro das células, onde ela será utilizada para produzir energia para que a célula continue viva e desempenhando suas funções.

No Diabetes tipo 2, o pâncreas funciona e produz insulina, porém não consegue produzir o suficiente e geralmente esse quadro ocorre na Obesidade ou outras situações nas quais existe maior resistência periférica à insulina. Essa situação, faz com que as células sofram por falta de energia, e por isso, precisam utilizar outros mecanismos para gerar energia, causando assim, vários efeitos colaterais no organismo. Se o paciente emagrecer, o pâncreas conseguirá produzir insulina suficiente para a demanda, haverá, às vezes, a cura da diabetes tipo 2.

Desde a década de 1970, a Cirurgia Bariátrica mais realizada no mundo é o Bypass Gástrico. Essa técnica, faz a exclusão duodenal, ou seja, o alimento não passa por grande parte do estômago, nem pelo duodeno e nem pelo início do intestino delgado. O duodeno e o jejuno inicial tem uma enorme capacidade de absorver alimentos para o sangue e quando fazemos sua exclusão, nós indiretamente 
nutrimos o íleo, pois os alimentos ao invés de serem absorvidos, continuarão no intestino e serão conduzidos até o intestino distal desencadeando a produção das incretinas. Portanto, o Bypass Gástrico aumenta muito a produção de incretinas e bloqueia a produção de anti-incretinas, e por isso, a Diabetes 2 tem grande melhora e, as vezes cura, poucos dias após o procedimento cirúrgico.

Percebeu-se que ao realizar um Bypass Gástrico em pacientes com classificação em obesidade mórbida (IMC>40) que apresentava como comorbidade a diabetes tipo 2, ocorria rapidamente melhora, mesmo antes da perda de peso em alguns pacientes. Na teoria, a cirurgia bariátrica melhoraria a diabetes tipo 2 porque o paciente emagrece, entretanto, na prática essa melhora, e às vezes até a cura, já ocorria logo após a cirurgia, independentemente da perda de peso. Através dessa observação, a Cirurgia Bariátrica que visava tratar a obesidade ganhou cunho endocrinológico e, hoje, a denominamos como “Cirurgia Bariátrica e Metabólica “.

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Matéria Por

Francisco Gomes Rodrigues

Cirurgia Geral

CRM/MS 2173 | RQE 2984 | RQE 3345 | Campo Grande

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