Eu ronco, e agora?

Atualmente uma queixa muito frequente no consultório do otorrinolaringologista é o ronco. O problema pode ocorrer em todas as idades. É comum um casal que se queixa que não dorme no mesmo quarto porque um deles é um roncador ou ainda pais que dizem não dormir devido o “ronco de adulto” que o filho tem.

A Síndrome da Apnéia e Hipopneia Obstrutivo do Sono (SAHOS) é caracterizada por episódios repetidos da parada da passagem de ar na via aérea e sua redução durante o sono. Ocorre o colabamento da via aérea e vibração com a produção do ronco, sendo este o sintoma mais comum. Outros sintomas como sonolência diurna excessiva, irritabilidade, falta de concentração, cefaleia matinal, impotência sexual, alterações cardiológicas e neurológicas também podem ser consequências da privação crônica do sono. É uma doença que causa um grande impacto na vida social e na qualidade de vida das pessoas devendo ser encarada como grave problema de saúde pública.

SAHOS pode acontecer em qualquer idade e suas causas são as mais variadas tais como: rinite crônica, hipertrofia de amígdalas e adenoides, desvio de septo nasal,tumores e traumas nasais,comprimento excessivo do palato mole e úvula,hipotireoidismo, paralisia cerebral e outros distúrbios neuromusculares degenerativos, causas congênitas e induzido pelo uso de medicações. Pessoas obesas e com algumas deformidades maxilo-mandibulares também estão mais sujeitas ao ronco e apneia do sono.O uso do álcool também aumenta a chance do ronco e apneia.

O diagnóstico é feito após uma anamnese minuciosa com o paciente e familiares investigando o sono do paciente. O exame físico deve ser realizado em toda a região da cabeça e pescoço para investigar as causas. A medida do índice de massa corpórea(IMC) e a circunferência do pescoço também são úteis .

Os exames complementares são usados para localizar o local de obstrução das vias aéreas e o grau da doença. Podem ser:

Videonasolaringoscopia: avalia toda a cavidade nasal do paciente desde a abertura da narina até a glote(região das pregas vocais),realizado pelo otorrinolaringologista no próprio consultório.

A polissonografia, chamada de “padrão ouro”, faz uma análise minuciosa de todo o sono do paciente. É realizada em uma clínica do sono, onde o paciente dorme por uma noite. Durante o exame são avaliados múltiplas variáveis fisiológicas (pressão arterial, frequência cardíaca, eletrocardiograma, eletroencefalograma). Também auxilia no diagnóstico de outros distúrbios do sono; além de avaliar e quantificar o ronco e apneia, sendo este um dado muito importante para a decisão do tratamento a ser adotado

A cefalometria: exame de imagem que permite o estudo das estruturas anatômicas e fornece uma avaliação objetiva dos estreitamentos ósseos da via aérea.

O tratamento da Sindrome de Apneia e Hipopneia do Sono é individualizado para cada paciente e visa restabelecer as condições respiratórias ideais do sono proporcionando uma melhora na qualidade de vida do mesmo.

Os tratamentos disponíveis atualmente são indicados de acordo com o grau da apneia e podem ser mais conservadores como o uso das placas intraorais que evitam o colapso da via aérea na região da orofaringe,uso de aparelhos de pressão positiva (CPAP)que liberam um fluxo de ar através de uma máscara no interior das vias aéreas e evitam o colabamento da região e finalmente os tratamentos cirúrgicos que são individualizados para cada paciente.

Medidas de suporte como: controle e redução do peso, evitar uso de álcool e medicamentos indutores de sono e evitar dormir em decúbito dorsal (barriga para cima) são fundamentais no tratamento.

A apneia do sono causa diminuição da oxigenação no sangue o que em longo prazo pode causar problemas cardiocirculatórios importantes como o aumento da pressão arterial,arritmias cardíacas,angina,infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Além disso os pacientes com distúrbios do sono possuem maior risco de acidentes de carro e no trabalho.

O ronco é uma queixa frequente na clínica diária e deve ser detalhadamente investigado e tratado individualmente a fim de que o paciente volte a ter uma boa qualidade de vida e evite complicações que podem decorrer desta doença.

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Matéria Por

DANIELLE BARBOSA RUIZ DE ABREU

Otorrinolaringologia

CRM/SP 106028 RQE 24134 | Ribeirão Preto

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