Variabilidade Glicêmica no Diabetes: a quais características o médico deve estar atento?

NUTROLOGIA

Variabilidade Glicêmica no Diabetes: a quais características o médico deve estar atento?

Em tempos de monitoramento contínuo da glicemia, aprenda como interpretar os dados dos pacientes com Diabetes e entender as variações. O controle da glicemia nos pacientes diabéticos tem grande importância para a prevenção de complicações agudas e crônicas da doença. Para isto, lança-se mão das seguintes ferramentas para o seguimento dos pacientes:

Glicemia Capilar: por meio do exame da gota de sangue em fita e aparelho apropriados, o paciente é capaz de aferir a glicemia capilar em determinado momento do dia;

Hemoglobina Glicada (HbA1c): porção proteica presente nos glóbulos vermelhos, que se liga à glicose presente no sangue. Quanto maior a glicemia, maior será a hemoglobina glicada.

Para melhorar o controle das glicemias diárias do paciente diabético, criou-se o formato de Monitoramento Contínuo de Glicemia (MCG), onde há a detecção da glicose do fluido intersticial de forma contínua por meio de um sensor acoplado ao corpo, diminuindo a quantidade de picadas de dedo e observando as tendências das variações glicêmicas ao longo do dia.

Quais características podem ser avaliadas na variabilidade Glicêmica?

Na avaliação da variabilidade glicêmica de um paciente com diabetes sob MCG, algumas características podem ser analisadas:

Tempo de glicemia no alvo: é o tempo em que se pretende manter a glicemia dentro de uma faixa- alvo estabelecida pelo médico para o paciente diabético. Na maioria dos pacientes, a faixa-alvo de glicemia é estabelecida entre 70 e 180 mg/dL (em alguns casos, de 70 a 140 mg/dL). Quanto maior o tempo na faixa-alvo, melhor o controle metabólico.

Tempo de glicemia acima ou abaixo do alvo: é o tempo que o paciente permanece acima ou abaixo da faixa-alvo estabelecida para o controle glicêmico. Quanto menor for o tempo fora dos limites superiores e inferiores pré-estabelecidos, melhores os controles e menores os riscos de complicações agudas e crônicas do diabetes.

Média de glicose e hemoglobina glicada estimadas: são as médias destes parâmetros de acordo com a glicemia do paciente apresentada no período analisado.

Hipoglicemia: a hipoglicemia, dada sua alta relevância clínica, é classificada em níveis:

Nível 1: glicemia entre 54 e 70 mg/dL (com ou sem sintomas) sinal de alerta para o paciente;

Nível 2: glicemia <54 mg/dL (com ou sem sintomas) - atenção imediata;

Nível 3: hipoglicemia severa (com sintomas) - atenção imediata.

Tempo de hipoglicemia: glicemia menor que 70 mg/dL por, no mínimo, 15 minutos.

Hiperglicemia: valores de glicemia entre 180 e 250 mg/dL denotam uma monitorização rigorosa naquele período; valores acima de 250 mg/dL requerem ações imediatas.

Porcentagem de dados capturados: para maior confiabilidade dos dados, exige-se um mínimo de 80% de dados registrados no sensor (ideal é acima de 90%). O tempo mínimo de leitura da glicemia pelo sensor deverá ser de 1 vez a cada 8 horas.

Desvio-Padrão (DP): avalia a variabilidade glicêmica: quanto menor o desvio, menor a variabilidade. Desvios grandes, com hemoglobina glicada normal ou baixa, significam grandes eventos de hipoglicemia no paciente. O desvio-padrão atualmente idealizado é um valor menor que 50 mg/dL.

Coeficiente de Variação (CV): é a razão do DP pela média da glicemia. CV menor que 36% significa pouca variabilidade glicêmica, com bons controles.

Setas de tendência: são setas que demonstram a tendência de glicemia do paciente estabilizar, subir ou descer; estas subidas ou quedas da glicemia podem ser lentas ou rápidas. Há relatos mostrando que decisões podem ser tomadas de acordo com a seta de tendência, independente do valor de glicemia daquele momento.

Conclusões

A maioria dos pacientes ainda realiza o controle da glicemia “pela ponta de dedo”, seguindo também o acompanhamento da hemoglobina glicada. Porém, cada vez mais, o tema variabilidade glicêmica difunde-se na comunidade médica e entre os próprios pacientes, por conta das vantagens de uso dos sensores de glicemia no dia a dia dos diabéticos. Dentro em breve, haverá um maior leque de informações relacionadas ao tratamento do paciente na prática médica, e os profissionais terão de conhecê-los e saber como interpretá- los. A variabilidade glicêmica é uma dessas novidades nas quais precisamos prestar atenção.

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Matéria Por

RENATO ZORZO

Nutrologia

CRM/SP: 98962 RQE: 69308 RQE: 69307 | Ribeirão Preto

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Matéria Por

THIAGO SANTOS HIROSE

Endocrinologia e Metabologia

CRM/SP 126.047 | CRM/MG 69.449 | RQE 397361 (SP) | | Ribeirão Preto

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