Programação dos primeiros 1000 dias de vida influenciará a saúde para o resto da vida

PEDIATRIA

Programação dos primeiros 1000 dias de vida influenciará a saúde para o resto da vida

Os bebês são pequenos milagres, desde o primeiro dia de gestação quando ainda não são visíveis, até o dia em que finalmente chegam, crescem, começam a andar e falar. Os bebês são pequenos milagres, e a ciência ajuda-nos a compreendê-los melhor, para os ajudarmos a crescer até o seu máximo potencial, e a viver uma vida saudável. Atenção a quatro pontos, que causam impacto ao longo de suas vidas, e o que podemos fazer para que esse propósito exista, é recomendarmos nutrição saudável e adequada, para obtermos excelência em saúde para o resto da vida:

1 – Crescimento Físico (o mais óbvio). Nos primeiros 1000 dias, os bebês crescem mais do que o restante de sua vida inteira, de uma célula a quinhentos trilhões de células, triplicam o seu peso desde o nascimento até completarem um ano de vida, crescem 2 centímetros a cada mês, para isso acontecer, é preciso uma alimentação equilibrada tanto em qualidade como em quantidade de nutrientes. Está provado que uma má nutrição tanto na gravidez como na infância tem impacto negativo no desenvolvimento e crescimento dos bebês.

2 – Desenvolvimento Cognitivo (o mais fascinante). Nos primeiros 1000 dias os bebês desenvolvem 80% das suas capacidades cognitivas de adulto. Triplicam o tamanho do cérebro, desde o nascimento até 2 anos de idade. Aprendem até 900 palavras antes dos 3 anos. Por isso, uma nutrição materna e infantil adequada é indispensável para alcançar todo o potencial de crescimento do bebê.

3 – Desenvolvimento do Sistema Imunitário (o mais complexo). Os bebês nascem com um sistema imunitário incapaz de os proteger, levam cerca de até 2 anos para formar o órgão imunitário mais eficaz do corpo, uma flora intestinal rica em mil trilhões de bactérias benéficas. Esse é o tempo em que as células imunitárias demoram a aprendem a distinguir as boas proteínas das más. Hoje, está provado que a nutrição é o fator decisivo para este desenvolvimento, o leite materno é o caminho natural para otimizar o potencial de crescimento e saúde futura dos bebês, influenciando fortemente a sua proteção natural contra infecções e alergias.

4 – Programação Metabólica (a mais recente descoberta). A nutrição durante a gravidez e nos primeiros messes após o nascimento tem impacto ao longo da vida do bebê, no risco de seu peso e doenças relacionadas com a obesidade, como: diabetes, hipertensão, aterosclerose, por exemplo, os bebês que são amamentados e não estão expostos ao consumo excessivo de proteína durante o primeiro ano, têm menos de 25% de hipótese de serem obesos mais tarde.

O leite materno nos primeiros 6 meses é especialmente importante, visto ser a sua única fonte de nutrição, contém moléculas que interagem com as bactérias do intestino, estimulando seu crescimento (bifidobactérias) e sua atividade metabólica. Os oligossacarídeos (HMOs) do leite humano são fontes de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) para nutrir as bactérias, que agem na modulação imune de modo a afetar as alergias alimentares e a doença intestinal inflamatória, no leite materno os HMOs agem como substitutos das fibras encontradas nos alimentos sólidos, o que permite que as bactérias comensais produzam AGCC no neonato.

O leite materno expõe o lactente a uma variedade de antígenos alimentares, além de conter ligantes fundamentais ao desenvolvimento do tecido linfoide e a função imune. Depois do desmame, os antígenos e as vitaminas derivadas dos alimentos sólidos, assim como os metabolitos alimentares produzidos pela microbiota, continuarão a modular o sistema imune e a determinar a suscetibilidade à doença imunomediada local e sistêmica. O desequilíbrio da microbiota intestinal está relacionado à doença inflamatória intestinal, obesidade, alergias e distúrbios do neurodesenvolvimento.

A diversificação alimentar também é essencial e aumenta a importância progressivamente podendo representar 61% do consumo alimentar total aos 2 anos de idade. Estes quatro pontos são fundamentais para percebermos como e em que medida a nutrição materna e infantil pode alimentar uma geração saudável e influenciar a saúde para o resto da vida. Esta é a missão para que todas as crianças comecem saudáveis e cresçam saudáveis, além de determinar os desfechos de saúde de curto e longo prazo, sendo a importância da amamentação materna como a base da prevenção de doenças não transmissíveis.

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Matéria Por

Angela Bartira Famer de Azevedo Dias

Pediatria

CRM/SC 5543 | RQE 5805 | RQE 1957 | Balneário Camboriú

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